Entrevista coletiva de Fernando Diniz

Diniz faliu sobre Liziero, Daniel Alves, erros defensivos, seu trabalho a frente do São Paulo e muito mais

Confira aqui como foi a coletiva do treinado são-paulino após o empate deste sábado

Se o Liziero tivesse entrado antes, o resultado seria diferente? “Aí tem que perguntar pra Mãe Diná, né? Eu não consigo responder isso. O Liziero entrou depois. O time não melhorou só por causa do Liziero. Ele ajudou. Mas o Tchê Tchê também recuou. As soluções do futebol nunca são tão simples assim, nunca é um fato só que gera tudo. É uma cadeia de fatos. Analisar assim é mais fácil. Assim a gente acha heróis e culpados facilmente. Foram uma série de circunstâncias que fizeram o time melhorar.”

Avaliação do trabalho: “O ponto negativo é a pontuação, claramente. O São Paulo tem que pontuar melhor. Vamos nos desdobrar para classificar o time de maneira direta para a Libertadores. O ponto positivo é ter mudado drasticamente a característica do jogo. É um time que tem mais posse, um time que chega na Vila Belmiro e Maracanã e não se acovarda. O Santos teve mais chances no primeiro tempo, mas não fomos envolvidos. É um time corajoso, as pessoas se entregam. O perfil do grupo é bom, mas estamos nos conhecendo ainda. Tenho vários jogadores jovens, de uma fábrica muito boa em Cotia. O meu olhar para o futuro é muito positivo.”

Existe uma pressão maior por títulos no CT? “No CT não tem uma pressão a mais. Existe uma pressão de todo mundo. Nosso diretor é o Raí, um dos grandes ídolos, ele sabe o que é fazer pressão, o que é suportar pressão e o que é vencer a pressão. A gente tem a felicidade de ter um cara do futebol, que se preparou, é inteligente. Foi muito mais uma conversa do que uma cobrança. Ele mostrou que estava junto, mostrou algumas coisas que achava que estava errada, mas no tom certo, os jogadores entenderam. A falta de títulos no São Paulo gera uma expectativa grande. A coisa mais importante do futebol que praticamos é o torcedor. O torcedor que é acostumado a ganhar como o do São Paulo, quando fica sem ganhar, existe um incômodo natural. Temos que suportar e saber devolver ao torcedor o que eles querem.”

Sobre o segundo tempo: “Eu não sei quantas chances o Santos criou. O Santos teve o lance do pênalti, que era totalmente evitável. A outra chance foi o recuo que o Volpi saiu, e acho que teve outra. Não vi tantas chances no primeiro tempo. A gente não conseguia concluir, mas estava fazendo o jogo que a gente se propôs a fazer, marcando alto, ganhando quase todas as segundas bolas. Faltou definir? Concordo. Ficou amarrado. Isso foi corrigido com a entrada do Liziero, o recuo do Tchê Tchê e ser mais agressivo, atacar mais a última linha do Santos. Tivemos uma melhora expressiva no segundo tempo.”

Sobre Daniel Alves: “Ele fez grandes partidas pela lateral e por dentro. Hoje ele jogou, na hora da marcação, pelo lado, mais ou menos na função do Antony. Para jogar, dei muita liberdade para ele se movimentar no campo. Ele fez um bom jogo, principalmente no segundo tempo com a melhora do time todo.”

Mais sobre Daniel Alves: “Quando falamos dele, falamos de um jogador de nível muito alto. O Daniel tem uma liderança extremamente positiva, treina todos os dias, chega no horário, vai embora depois dos outros, faz a recuperação, cuida da alimentação. É um exemplo. O São Paulo fez uma grande contratação, ele emana coisas positivas. Não trouxemos um driblador ou fazedor de gols. A cobrança em cima dele pelos títulos que ganhou é muito descontextualizada. Ele veio para somar e ajudar o São Paulo, e tem ajudado muito. Ele ajuda na liderança em campo, na marcação, na orientação. Ele faz parte da solução.”

Sobre Pato: “O Pato conseguiu jogar, se esforçou. Mas acho que o melhor formato para o time agora é sem ele. Nesse momento eu coloco a melhor equipe para jogar e faço as alterações conforme eu acho que vai melhorar para o time ter mais chances de vencer. Esse é o contexto que o Pato está inserido.”

Sobre Vitor Bueno: “Tem sido um dos jogadores com maior capacidade de decisão do time. Taticamente foi muito bem também, fez os retornos com exatidão. Fez um ótimo jogo.”

Sobre Pablo: “O Pato é um jogador genial. Pela condição técnica dele, ele já podia estar indo para a terceira Copa. Característica técnica não é. Ele jogou outras partidas e não conseguiu botar para fora esse talento. Fizemos outras opções que acredito que sejam o melhor para o São Paulo no momento.”

Sobre Antony: “Não teve nada, foi uma coisa muito discreta. Ele chegou com dor e resolvemos cortar. O Antony deve estar saindo do departamento médico, que não tem nenhum jogador que preocupa. Durante a semana ele deve estar disponível.”

Raniel pode fazer a função de centroavante no próximo jogo? “É uma das possibilidades. Nada impede de termos outro formato de equipe para jogar. Eu vou colocar os melhores jogadores que eu achar para o São Paulo aumentar as chances de vitória.”

Sobre transição com velocidade: “A gente melhorou a transição da saída. Para termos uma equipe altamente competitiva, hoje se faz muito necessário, ainda mais quando pega o time como o Santos, um time bem treinado. Se você não acelerar o jogo, você passa a primeira linha e estagnava. Se não fizéssemos, não empataríamos e não teríamos chance de virar.

Sobre não usar as três substituições: “Quando você faz uma coisa que foge a norma, isso é uma coisa que me acompanha. As substituições são feitas para melhorar o time, não vi motivos para fazer. Se eu achar que não vai melhorar o time, não vou fazer. Não sou preocupado com a norma e em dar satisfação externa.”

O quanto você lamenta os pontos perdidos nos jogos do Morumbi? “Eu lamento. Mas não podemos lamentar muito. Temos que procurar ganhar para os pontos que perdemos em casa não façam falta. Hoje lamento também, poderíamos ter ganho o jogo. O resultado machuca. Mas contra o Athletico fizemos um bom jogo também. Merecemos a vitória no domingo e hoje. Temos que seguir trabalhando e conquistas as vitórias, estamos precisando.”

Sobre exitar na finalização: “Pelo segundo tempo, não. Hoje não teve problema de confiança, acho. A gente jogou na Vila Belmiro contra o Santos, contra um técnico excelente, fazer a partida que fizemos, temos que elogiar pela postura.”

Sobre o gol: “Ele inicia a jogada, acompanha e faz o gol. Ainda bem que foi assim. Se o resultado não tivesse vindo, teríamos aquelas críticas que não tem a ver. O Daniel é um cara que tem ajudado muito o São Paulo, vai ajudar ainda mais. Ele já entrou para flutuar e buscar o melhor espaço. A maneira que o time jogou no primeiro tempo dificultou para ele aparecer. O Daniel é um jogador de coletivo. Quando a coletividade anda, ele é um cara que sempre vai contribuir muito.”

Sobre os abraços na hora do gol: “Para mim é gratificante. Faz parte da minha relação. Eu já falei inúmeras vezes, eu tenho certeza que tenho um desejo de fazer o melhor para o jogador, prestar um serviço de qualidade para ele render e construir uma simbiose com o torcedor. Eu procuro ser próximo para tirar o melhor de cada um.”

Quer assistir a entrevista? Veja abaixo: