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Situação financeira do São Paulo em tempos de coronavírus

São Paulo consegue desbloquear suas contas na Justiça - Fernando Dantas/Gazeta Press

O clube já vinha de uma situação financeira delicada, com a paralisação do futebol, os cofres do Tricolor podem sofrer mais ainda

O São Paulo decidiu que iria suspender 50% dos salários dos jogadores e congelar os direitos de imagem durante a pausa dos campeonatos devido ao novo coronavírus. E apesar da grande parte dos jogadores não aceitarem a tal decisão, o clube já efetuou os pagamentos de março com essas mudanças. 

A situação financeira do clube já era difícil e tende a ficar ainda mais delicada com a falta de receitas importantes como bilheteria, direitos de transmissão e até patrocínios. Esse último fator é o que mais preocupa os dirigentes são-paulinos, já que o contrato com o Banco Inter vence no fim de abril e, com a paralisação dos campeonatos, as negociações para renovar congelaram.

As partes evitam divulgar os valores do contrato, mas estima-se que estivessem perto dos R$ 20 milhões anuais, considerando fixo e variável (há um gatilho, por exemplo, relacionado ao número de contas abertas no Banco Inter, que estava na casa de 25 mil novos clientes ao mês). Se o São Paulo iniciou a negociação munido de argumentos para conseguir reajustar o valor, agora sabe que todos os patrocinadores do futebol brasileiro perderam visibilidade durante a crise e que dificilmente conseguirá assinar um novo vínculo enquanto a situação não se normalizar.

O clube ainda fará algumas negociações individuais. Daniel Alves, por exemplo, tem uma robusta parcela de seus direitos de imagem a serem recebidos em abril. A ideia é postegar ao menos parte do valor. A pandemia, aliás, também dificulta na busca por parceiros que ajudem a bancar o camisa 10 – por enquanto, a única empresa com acordo fechado, mas ainda não vigente, é a DAZN, que pagará R$ 5 milhões para explorar a imagem do jogador. Um detalhe importante: o orçamento do Tricolor já considera o pagamento de 100% dos valores prometidos a Daniel, então a chegada de parceiros significa um “plus”, e não algo indispensável.

O São Paulo fechou 2019 com um déficit de R$ 156 milhões. O clube justifica que esse valor elevado tem duas causas principais: a decisão de não vender atletas no meio da temporada passada e os acordos judiciais que foram feitos com antigos credores (principalmente CET, empresários que ajudaram na compra do meia Ricardinho e atletas que cobravam direitos de arena) – cerca de R$ 80 milhões que entram na conta mesmo com os pagamentos agendados para os próximos anos.   

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Fonte: LANCE!

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Escrito por Natália Milreu