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Richarlyson: “Muricy nunca foi técnico bonzinho”

Richalyson agradece Julio Casares e a torcida são-paulina por ter seu nome na calçada dos ídolos do São Paulo

Em entrevista para o programa Os Canalhas, ex-jogador do Tricolor e campeão com o técnico Muricy Ramalho falou sobre como era o ex-técnico no comando do Tricolor

 

Durante o período mais vitorioso de sua carreira, Richarlyson teve Muricy Ramalho como técnico no São Paulo, conquistando três títulos brasileiros em 2006, 2007 e 2008, além de ser eleito um dos melhores da competição ao ganhar o prêmio Bola de Prata de 2007.

Em entrevista  com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Richarlyson detalha o trabalho com Muricy no São Paulo, a preocupação dele com o lado pessoal dos jogadores e a forma como o treinador conseguiu montar uma defesa sólida, que tomava poucos gols, enquanto o ataque se tornou um dos mais perigosos nas jogadas aéreas.

“Talvez o segredo do Muricy seja a humildade com que ele transparece as coisas e, diga-se de passagem, o Muricy não é um treinador bonzinho, então não confundam as coisas, pelo contrário, ele é exigente pra caramba. Quantas vezes eu não fui xingado na beira do campo pelo Muricy, inúmeras, até agora no Legends, ele me xingou na beira do campo”, afirma. 

E completou: “Ele era exigente o absurdo, fazia tudo da forma assim mais perfeita possível, cobrava mesmo, não tinha dó de xingar, aquele jeitão dele, que todo mundo conhece, mas ao mesmo tempo, o cara paizão, o cara que sabe lidar com certas emoções, o cara sabe lidar com o cara no dia em que o cara está mal, que o cara não chegou bem, que o cara está com problema de família, sei lá, o filho está doente em casa, ou brigou com a mulher, ele sabe fazer isso muito bem. Talvez seja esse diferencial. O Muricy não trata o atleta só como atleta profissional, ele lembra que antes do atleta tem um ser humano.”

O exemplo dado por Richarlyson a respeito das cobranças de Muricy é justamente do ano em que foi eleito um dos melhores volantes do Campeonato Brasileiro, em 2007, quando até o jogo do título, o São Paulo havia tomado apenas 13 gols em 33 jogos, o que ajudou o clube a garantir a taça com cinco partidas de antecedência. 

“No começo do ano, a gente vinha tomando muitos gols de bola parada. O que o Muricy fez? Começou a treinar exaustivamente essa bola parada, não só defensivamente como ofensivamente. E aí o que aconteceu? Nós ficamos numa defesa de bola parada impressionante, mas não passava nem pensamento naquela época ali na área, porque a gente treinava exaustivamente”, afirma. 

E finalizou: “Treinávamos mais de uma hora de bola parada, exaustivamente, e ai de o time reserva fazer gol no treinamento, ficava ali até eles nem cabecearem. O Muricy não gostava nem que o time reserva cabeceava a bola, nosso time considerado titular tinha que cabecear todas, o reserva não podia tocar na bola. Então assim, o que isso demonstra para mim? Que a repetição, ela te leva à perfeição.”

Foto: saopaulofc.net
Fonte: UOL Esporte

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Escrito por Natália Milreu