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Por que Diniz insiste no que não dá certo?

Um dos maiores, senão o maior, problema da equipe do São Paulo é a saída de bola. Erro maior, é Diniz insistir nesse sistema de jogo, que está mais do que previsível para os técnicos adversários.

É óbvio ululante aos adversários que basta pressionar a saída de bola e exercer uma marcação sobre o jogador responsável pela ligação entre a defesa e o ataque do São Paulo, que o todo o sistema de troca de passes de Diniz é completamente anulado.

Também não precisa ser muito perspicaz para compreender que o sistema de Diniz, desde os tempos do Audax, inspira-se no tiki-taka, de Guardiola, deixado de lado há muito tempo pelo estrategista espanhol.

O grande problema é que existe uma diferença abissal entre a qualidade dos jogadores do tiki-taka consolidado pelo Barcelona que alterou e os jogadores do São Paulo.

Para implantar o tiki-taka é necessário qualidade extrema de domínio de bola e perfeição no passe. E, convenhamos, a ideia, na teoria, é linda; mas, na realidade do futebol brasileiro, é apenas uma utopia que leva a derrota.

Mesmo assim, Diniz insiste. Isso sim é incompreensível.

Evidente que os conceitos de troca de passes e posse de bola são elementos básicos do jogo, os quais estão acima do tiki-taka e devem sempre serem os fundamentos, no entanto, é fato que Diniz exagera na dose, “forçando” que o time busque a construção da jogada desde os pés do goleiro.

O que pesa muito sobre Diniz é insistir em algo que, visivelmente, há muitas rodadas, não funciona mais, gerando muitos gols adversários e, consequentemente, promovendo derrotas com gols que não cabem no mundo profissional da bola.

Quando revemos os lances das últimas partidas do São Paulo, está ali, na cara de todo mundo, registrado em cores e vídeos, que o time tomou muitos gols a partir dessa saída de bola, principalmente quando em frente à grande área.

Um dos gols do Inter é um exemplo disso: Volpi lançou uma bola pelo meio para Luciano, que tocou para Vitor Bueno pressionado. Bate-rebate a bola sobrou para Yuri Alberto só empurrar para o gol. Parecia jogo de amigos no domingo do churrasco.

Nesse mundo de internet, em que tudo é instantâneo, deixou-nos mais burro, pois retirou muito da capacidade do exercício do particular para o universal, do micro para o macro, nesse eterno movimento dialético de opostos e complementares.

Se mexermos no passado no sentido de compreender o futuro, relembre a primeira partida de Diniz à frente do São Paulo, em 2019, quando entrou numa fogueira danada para enfrentar o então avassalador Flamengo, no Rio de Janeiro, em setembro de 2019.

Diante do rolo compressor rubro-negro, Diniz montou uma equipe extremamente segura, com base no tradicional da bola e conseguiu arrancar um bom empate em 0 a 0, com a equipe jogando de forma consistente.

Na reta final do torneio, empates contra o Bragantino e o Inter seriam compreensíveis e não geraria toda situação no Morumbi.

Vale o registro de que não sou avesso às inovações na bola. Isso é o que muda a ordem das coisas e coloca novos ângulos, assim como um dia Guardiola inventou o tiki-taka, no entanto, é necessário analisar o contexto para implantar e insistir.

O conceito de saída de bola de Diniz, além de presa fácil aos adversários, atualmente, parece-nos como se estivesse querendo passar uma esfera por um buraco triangular.

Então, por que não mudar? Qual o problema em alterar a forma de jogar, ainda mais nessa reta final, em que todos adversários já dissecaram o sistema do São Paulo.

Além da saída de bola, outro movimento de Diniz, que gera apreensão são as suas alterações. Bastou o São Paulo tomar um gol e o tempo avançar no cronômetro, que Diniz começa a desmontar o time, tirando zagueiro e colocando atacante, tirando lateral e colocando 50 atacantes, transfigurando todo o time. O mais recente desmonte suicida se deu contra o Inter. Bastou tirar que o time tomou três numa tacada só.

Essas mudanças poderão até encontrar uma explicação sofismática no novo e “moderno” glossário da bola, porém, na minha visão, reflete uma desesperada gambiarra, quando se parte para o aleatório total, diferente do futebol total.

Matematicamente, o título não está perdido. No entanto, as análises são projetadas com base no que o São Paulo vem jogando. Aí, nesse ponto, o título já escorreu pelos dedos.

O São Paulo, que acumula tragédias, necessita deste título para romper um ciclo de ruínas. Diniz, mais do que o São Paulo, precisa deste título para se firmar no futebol. Não seria a hora de fazer o básico? O que não significa se acovardar.

Ideologias são extraordinária, desde que não coloquem as nossas vidas em risco. Em muitos momentos da vida, fazer o elementar também é uma arte.

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Escrito por Ricardo Flaitt