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O batismo de fogo de Casares e Muricy: escolher o novo técnico

A queda de Fernando Diniz no comando do São Paulo é questão de tempo. Após 16 meses à frente da equipe, não conseguiu instaurar seu estilo de jogo e acumulou fracassos retumbantes como as eliminações para o Mirassol no Paulista, sendo que o time do interior entrou em campo com um 11 jogadores montado às pressas; desclassificação na primeira fase da Libertadores, perdendo para o semiamador Binacional; caiu da Sul-Americana para o intermediário Lanús, da Argentina; caiu para o Grêmio na Copa do Brasil; e agora assiste, impotente, ao título Brasileiro derreter, ainda que existam chances matemáticas.

Mesmo com tantas quedas, Diniz foi contemplado com um longo tempo de trabalho, atípico na ciranda de técnicos brasileiros. Não poderá, jamais, apontar o relógio como explicação para seus fracassos. O que mais obteve foi tempo, mas, agora, seu tempo acabou… Mesmo que vença o Brasileirão não permanecerá no comando do São Paulo.

Devido aos péssimos resultados, neste momento, a interrogação que caminha pelos corredores do Morumbi é a de quem será o novo treinador do São Paulo. Esse é o batismo de foto para o novo presidente, Júlio Casares, e o diretor Muricy Ramalho.

Futebol é, antes de campo e bola, ambiente político e todo novo faraó sonha em construir sua pirâmide. Júlio Casares, que herdou elenco, treinador e comissão de Leco, também vai projetar a sua marca no São Paulo.

Casares e Muricy acertaram em bancar Diniz, que conduzia a equipe com sete pontos de vantagem no Brasileirão. Mas o que era sólido virou ar em poucas rodadas. O caminho para as mudanças, pavimentados pelos desastres no campo, estão livres e com a vantagem de chegarem o discurso ainda sem desgastes de zerar e reconstruir.

Com o improvável título do São Paulo no Brasileiro e a iminente demissão de Diniz, o desafio de Casares e Muricy agora é escolher um novo treinador. O São Paulo, que desde 2008 só ganhou uma Sul-Americana, não pode mais errar.

A escolha de um treinador não é tarefa fácil. Primeiro porque há que se considerar o contexto do clube: seca de títulos, elenco, quanto há para investir no novo técnico, quanto há para investir em novos jogadores, dentre outras variáveis.

Torcedor, em sua simplicidade de postagens em redes sociais, logo vocifera: tem que trazer o Gallardo, outros chegam ao maximum delírio ao citar Guardiola.

Fato é que o São Paulo ficou refém dos seus tempos de glória, que agora estão no passado, e por mais que isso possa soar estranho, os ecos dos tempos de Telê Santana reverberam negativamente nas escolhas dos técnicos, porque muitas vezes ainda se escolhem técnicos como se o clube tivesse aquela máquina de jogar com Raí, Leonardo, Cerezo, Palhinha, Muller, etc.

Como diz o hino, “As suas glórias / Vem do passado”. Porém, o São Paulo, há tempos, compreender e aceitar que ficou no passado. É necessário construir um novo futuro, com novas histórias.

É duro para o São Paulo admitir que, diferente do Palmeiras e Flamengo, está muito longe de ter um grande elenco. Se analisarmos friamente, os melhores resultados do Tricolor, nos últimos tempos, se estabeleceram com técnicos reativos como Aguirre, que assumiu a liderança do Brasileiro, mas foi derrubado por jogadores; e Paton, que chegou à semifinal da Libertadores com um time improvável.

Em exercício distante da realidade, só para citar alguns notáveis, dariam certo Jorge Jesus, Gallardo, Maurizio Sarri com o atual elenco do São Paulo?

Eles já assumiram o São Paulo, e não há mais como transferir os erros para as contas do passado. A partir de agora são eles quem têm a duríssima missão de reconstruir o clube, que se inicia pela contratação de um novo treinador e também evitar os devaneios na formação do elenco, tema para outro texto, que compreenda Biro-Biro, Calazans, Maicosuel, Neílton, Getterson, dentre tantos outros.

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Escrito por Ricardo Flaitt