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MAC atribui vaidade e soberba por seca de títulos no São Paulo

Em entrevista para a ESPN Brasil, o conselheiro do São Paulo, Marco Aurélio Cunha listou as razões que, para ele, levaram o clube à atual situação de seca de títulos e problemas políticos 

O conselheiro do Tricolor falou em entrevista para o canal do Youtube dos jornalistas Arnado Ribeiro e Eduardo Tironi, ‘Papo com Arnaldo e Tironi’, sobre a atual situação do clube politicamente e a seca de títulos. 

Eu acho o seguinte, a questão do São Paulo foi a sua soberba, o apelido ‘Soberano’ que o São Paulo recebeu ou deu ou alguém criou foi a pior coisa que o São Paulo ganhou. É muito bom quando você é elevado à última potência de alguma coisa, você fica muito envaidecido, a mulher mais bonita, o cara mais forte, o melhor ator do ano, e como é que fica para depois?“, falou. 

E completou: “Depois que você está no topo, como é que você lida com a sua eventual queda, ou não digo queda, mas diminuição de potência, aquele filme que ganhou o Oscar, o diretor que ganhou o Oscar, no ano seguinte, ou ele ganha outro Oscar ou vão falar que ele é ruim.”

“Então, nós temos que saber lidar com a vitória, é uma coisa que nos deixa muito embevecidos, muito atormentados pelo sucesso, e isto é muito perigoso. O São Paulo realmente tinha a melhor estrutura do futebol brasileiro, que serviu de modelo para inúmeros clubes, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, mas o São Paulo se contentou com aquilo e achou que tudo que fazia poderia dar certo“, finalizou. 

Marco Aurélio ainda fala que alertou o clube sobre receber com bons olhos mudanças para evoluir, mas que não foi bem aceito, e como não estava conseguindo fazer o seu trabalho direito, pediu pra sair, em 2010. 

“Em 2010, quando eu saí, eu dei este alerta. Se vocês entrarem hoje no Google e procurarem lá em janeiro de 2010 a minha fala na minha despedida do São Paulo, na minha autodemissão, eu falei tudo isso. ‘Não estou mais conseguindo fazer aquilo que eu imaginava.’ Não quer dizer que eu fosse o máximo, que eu sou o dono da bola, nada disso“, disse. 

E continuou: “E estava muito difícil a gente falar de coisas novas, de mudança, de que alguma coisa não estava no caminho, as pessoas não ouviam mais. Não ouviam. Trazendo gente de fora pra dentro sem nenhuma credencial para dirigir o São Paulo, pra poder falar sobre o São Paulo, era mais cômodo porque as interferências aumentavam, então, o São Paulo perdeu o rumo pela vaidade.”

Marco Aurélio Cunha fez questão de concluir que Leco faz parte dessa construção política ruim do clube, não tem culpa sozinho, mas faz parte do bolo todo.

“Só pra não dar abono ao Leco, o Leco faz parte disso. Não é culpa dele, ele faz parte disso. Aí veio o terceiro mandato do Juvenal [Juvêncio], que não foi bom“, falou. 

É preciso sempre contextualizar, quando o Juvenal fez o terceiro mandato, a essência do terceiro mandato seria o Morumbi na Copa [do Mundo de 2014], a reconstrução do Morumbi… E veio o Morumbi fora da Copa, desgaste político, intrigas e tudo mais […] Aí, veio o Carlos Miguel Aidar, o Leco foi quem assumiu como presidente do Conselho, e aí vem o Leco como presidente, e o Leco, na minha opinião, eu votei nele, era A ou B, o incrível disso é que o Leco era o presidente, o concorrente era o Pimenta, e hoje o Pimenta é do Conselho de Administração e tá junto, quer dizer, é engraçado isso“, finalizou. 

Foto: Divulgação
Fonte: ESPN Brasil 

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Escrito por Natália Milreu