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Juanfran, verdadeiro capitão do São Paulo

O São Paulo acumulava uma sequência trágica. Foi eliminado pelo Grêmio na Copa do Brasil, perdeu de 4 a 2 para o Bragantino, tomando um vareio de bola e, para completar a hecatombe, sucumbiu por 5 a 1 para o Inter, perdendo a liderança do Brasileirão.

Sob um contexto de pressão, revolta, indignação, ainda assim, o espanhol, que após ser substituído na partida contra o Inter e ficar assistindo ao jogo atrás do gol do Morumbi, pediu para participar da entrevista coletiva

Parece simples, no entanto, encarar as câmeras depois de grandes quedas é para poucos. Juanfran é diferenciado na postura, na seriedade, no profissionalismo e, sobretudo, na personalidade.

Mesmo sob fogo, encarou a coletiva, e disse:

“Vou te falar de coração. Não sei falar de outra forma. Tive ofertas de outros times para sair, mas decidi ficar aqui até o final. Saindo ou não campeão, vou estar orgulhoso de vestir essa camiseta. Não sei o que vai acontecer no ano que vem. Mas daqui até o final vou deixar minha vida. Não era o melhor para mim ficar aqui nestes dois meses, não sei se o São Paulo vai querer renovar, mais de mim, mas vou deixar minha vida até o final. Se tenho que estar fodido, que falem merda de mim até o final do ano”.

Juanfran, que brilhou no Atlético de Madri e na Seleção Espanhola, mesmo sabendo dos anos conturbados do São Paulo e da seca de títulos, optou jogar no São Paulo. E, em todas entrevistas, desde quando chegou, sempre exaltou o tamanho a dimensão do Tricolor.

Se há um jogador no elenco do São Paulo que merece respeito e o título de campeão, é Juanfran, que a diretoria poderia ter a decência de esticar o seu contrato até o final de 2021.

O São Paulo, que há muitos anos acumula jogadores que são indiferente à vitória ou à derrota, não dá para ignorar a grandeza de um jogador que, em antiga entrevista, falou: Tinha proposta de equipes da Europa, dos Estados Unidos, para ganhar inclusive mais dinheiro em outras ligas. Mas, agora, não pensava em dinheiro, pensava em quão grande é o São Paulo e poder voltar a ser campeão com o São Paulo. Tenho esse desejo”. 

Na partida decisiva de hoje, às 19 horas, no Morumbi, entre São Paulo e Coritiba, após a preleção de Diniz, o espanhol que encarou a pesada coletiva do Inter é quem realmente deveria falar com os jogadores antes de pisarem no gramado do Morumbi.

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Escrito por Ricardo Flaitt