Jogo dos 7 erros. A derrocada do Mito!

O que levou nosso eterno capitão à situação delicada que vive hoje?

Rogério Ceni continua sendo O MITO. Não importa o que ele faça enquanto técnico, continuará tendo seu nome escrito na história do São Paulo como o maior ídolo que já tivemos. Mas isso também não faz dele incriticável. Nem como pessoa, nem como técnico.

Rogério é, talvez, o atleta mais apaixonado pelo clube que já vestiu o manto sagrado. E honrou, como ninguém, aquela que foi sua segunda pele ao longo dos 25 anos dedicados ao clube.

Mas, como técnico, a história não tem sido grata ao nosso eterno capitão. E eu listo aqui 7 daqueles que considero os principais erros que levaram o time e o próprio Rogério até esta situação desagradável que paira nos ares do Morumbi.

Erro #1 – Confiar em Leco

Este é o que eu considero o erro mais grave do Mito, confiar no atual presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Todos sabem que o Rogério sempre teve envolvimento com a política do clube, tendo sido fiel partidário da gestão de Juvenal Juvêncio e sua turma. Sendo assim, não é de se espantar que ele e Leco tivessem certo nível de relacionamento.

Apesar de ter manobrado para sair com uma imagem “limpa” do escândalo de corrupção envolvendo o ex-presidente Aidar, o fato é que Leco fez parte da gestão suja do mesmo e, basicamente, ENTERROU as investigações sobre o caso, depois que assumiu a presidência. O que levantou suspeitas entre conselheiros do clube, inclusive.

Assumiu a presidência de forma bastante esquisita (afinal, já tinha se desligado daquela gestão) e não era lá uma unanimidade para as eleições que aconteceriam em abril deste ano.

Para ser eleito, Leco resolveu se mexer e usou Rogério Ceni como cabo eleitoral, oferecendo ao ex-goleiro o cargo de Treinador do Mais Querido. Tão claro quanto água é o fato de que Rogério jamais recusaria tal oferta.

Porém, como todo bom traidor, Leco mostrou sua verdadeira face logo após ser eleito, transformando o clube em um verdadeiro brechó de jogadores. Estamos na metade do ano e já vendemos 19 jogadores. Isso já é bem acima da média de anos anteriores e, repito, ainda estamos na metade do ano.

Não há como atingir objetivos ambiciosos com uma rotatividade tão grande de jogadores no elenco. E eu sequer estou mencionando o fato de que nenhuma grande contratação foi feita na pré-temporada. Sendo que os melhores reforços chegaram com a temporada já iniciada.

Em resumo, o presidente Leco boicotou qualquer chance de sucesso de Rogério Ceni no cargo de treinador. Pois isso não se faz nem com treinadores experientes, imagina com um que está começando sua carreira.

Portanto, o primeiro e maior erro do Mito foi ter confiado no mau-caráter do Leco.

Erro #2 – Abandonar o curso na Europa

Nem todo técnico precisa fazer um curso na Europa para se qualificar como treinador. Temos vários exemplos disso no Brasil. Treinadores de sucesso que construíram sua carreira no conhecimento prático de quando eram jogadores, fazendo cursos menos complexos aqui mesmo, no país. Ou, em alguns casos, trabalhando como auxiliares de outros técnicos, etc.

Mas Rogério quis ser diferente e isso é louvável. Afinal de contas, o Brasil vive um sério problema de qualificação técnica, onde os mesmos nomes e filosofias rodam pelos mesmos clubes todo ano. Sem qualquer inovação tática. A única exceção, talvez, tenha sido o atual treinador da seleção, Tite. Não por coincidência, alcançou o sucesso do qual vive atualmente.

Sendo assim, Rogério se comprometeu a se tornar técnico e julgou ser necessário fazer uma especialização no exterior e lá se foi para a Europa.

Ele sempre disse que só aceitaria ser técnico do São Paulo quando se sentisse preparado para isso, porém, aceitou ao primeiro chamado, quando ainda faltavam etapas de sua qualificação. Talvez ele tivesse se sentido preparado, mesmo antes de terminar o curso. Ou talvez tenha acreditado que trazendo dois especialistas que conheceu lá pudesse suprir aquilo que faltava concluir. Porém, se colocou em uma situação onde será sempre questionado e colocado em xeque, como já o fazem, sempre que recordarem que ele não concluiu o curso.

Sendo assim, a desconfiança em relação à sua preparação será permanente e, por isso, considero que ter abandonado o curso precocemente tenha sido o seu segundo erro.

Erro #3 – Aceitar um desafio maior que sua experiência lhe permitiria

O terceiro erro do Mito foi aceitar iniciar sua carreira em uma fogueira tão grande quanto seria essa temporada.

Com o time tendo terminado 2016 em má fase e uma previsão de continuidade das dificuldades financeiras para este ano, era possível prever que a missão seria quase impossível. Aqueles que convivem comigo sabem que antes de começar a temporada eu já dizia que seria um milagre se o Rogério conseguisse tirar algo do elenco que se apresentava para esta temporada. Eu só não imaginava que o pior ainda estava por vim, com a constante rotatividade de jogadores saindo do time, inclusive aqueles que se destacavam, como David Neres e Luís Araújo. Me pergunto se o próprio Rogério tinha ciência dos planos da diretoria, o que nos remete ao primeiro erro que mencionei.

Mas Rogério é uma pessoa obstinada e também movido a desafios, o que nos leva ao próximo erro.

Erro #4 – Faltou-lhe humildade

Não me entendam mal. Isso não é uma crítica à personalidade do Mito. Todo gênio está sujeito a uma falta de humildade, isso não é exclusividade do Rogério. Ele nunca foi profissionalmente humilde.

Vamos pontuar algo: Eu estou falando de humildade em relação à sua profissão. Eu já vi e conversei pessoalmente com o Mito em 2004. Também tive a HONRA de fazer o primeiro Morumbi Tour comandado por ele. E pessoalmente ele sempre me pareceu uma pessoa bastante amigável e receptiva. Nunca o vi agir de forma arrogante com seus fãs e conheço diversas histórias de humildade e humanidade dele, enquanto pessoa. Porém, é inegável que, quando se trata do Rogério Ceni, profissional, ele quase nunca se expressou de forma humilde. Chegando, em certos momentos, a parecer arrogante, sendo isso, inclusive, algo que irrita ainda mais os torcedores rivais. Mas repito, isso é uma característica bastante comum em pessoas com inteligência acima da média, o que torna o Mito uma figura ainda mais complexa, como todo gênio.

Tendo explicado este ponto, quando lhes digo que faltou humildade, foi a de reconhecer suas limitações enquanto treinador principiante e enxergar, com realismo, o atual momento do SPFC. Portanto, imagino que teria sido muito mais apropriado que ele iniciasse sua carreira como auxiliar técnico, ou até mesmo como técnico nas categorias de base do Tricolor.

Cito aqui dois exemplos de ex-jogadores geniais que tiveram essa humildade no início de suas carreiras como treinador:

Zidane começou como auxiliar técnico no Real Madrid e, começou como técnico no Real Madrid Castilha, o time B do Real Madrid, que disputa divisões inferiores do Campeonato Espanhol.

O próprio Pepe Guardiola, tido como um dos melhores técnicos desta década, também iniciou com um time filiado ao Barcelona, o Barcelona B, durante uma temporada inteira.

Diferente dos citados, Rogério Ceni mergulhou de cabeça na responsabilidade de treinar o time principal do São Paulo, em um dos piores momentos do clube neste século, sem ter vivido qualquer experiência prévia como treinador. Fazendo disto mais um erro cometido.

Erro #5 – Insistir em uma formação que não dá resultados

Dois zagueiros, três zagueiros, um volante, dois volantes, três volantes… Não importa qual formação você vá utilizar, ela deve refletir o que de melhor você tem no elenco. E o que o São Paulo não tem, é um meia de armação com qualidade. O time erra mais passes que um time de crianças. Mesmo assim, Rogério insiste em utilizar formações que esvaziam o meio campo. Levando um time de perebas a efetuar passes longos que não chegam aos seus destinos.

De fato, não é culpa do Rogério que os jogadores não saibam um fundamento simples do futebol, mas é responsabilidade dele insistir em uma formação que dificulta a aproximação dos jogadores. Ainda mais sendo o jogador brasileiro médio, da atualidade, um bicho que não sabe ocupar espaços. Imagina então um elenco com jogadores mais limitados que a média.

Na minha opinião, Rogério falha ao insistir no 4-3-3 e 3-4-3, quando evidentemente estas formações não estão funcionando. Na teoria é bonito ter uma formação ofensiva, mas não é bonito quando, na prática, não resolve. Se você tem um time limitado a formação deve ser a mais simples possível e, de preferência, o meio de campo mais próximo e jogando com passes curtos, já que a qualidade não é suficiente para arriscar passes mais longos.

Por essa teimosia em enxergar a realidade do que tem em mãos x a formação que prefere, Rogério peca como treinador.

Erro #6 – Escalações para lá de questionáveis

Essa, talvez, é uma das maiores reclamações de muitos são paulinos. Como pode Lucão ser titular? Como pode Cícero ser titular absoluto no meio? Por que Maicon ainda não foi para o banco de reservas depois de tantas falhas? Por que Wellington Nem ainda é relacionado? Pior ainda… Por que Wellington Nem joga mais que o Gilberto?

Perguntas cujas respostas habitam apenas a cabeça do treinador.

Por que ele insiste em jogadores que já tiveram várias oportunidades de provarem algo e que fracassaram retumbantemente?

Ah… não poderia esquecer de mencionar Wesley e Bruno. Nesse ponto, meu amado Mito, você erra feio… Erra RUDE!

Erro #7 – A novela Lugano

Aqui, meus amigos, reside o erro que, apesar de não ser o mais grave, é o que mais me causa mágoas em relação ao Mito. Por que ele abandonou o Lugano?

É claro, alguns de vocês podem argumentar que ele se manifestou a favor da permanência do Diós, mas até onde isso foi sincero?

Pois é inconcebível, na minha opinião, que Lugano estivesse esse tempo todo no banco de reservas, sendo preterido para dar lugar a Lucão, Douglas, Rodrigo Condomínio e Maicon, o God of Falha.

Eu sei, Lugano está longe de ser aquele que foi em 2005. Não estou dizendo que ele ainda é um zagueiro de capacidade inegável. O que estou dizendo é que, dentre as opções atuais e com as constantes falhas do sistema defensivo, não dá para entender por que Rogério não confia no uruguaio para sequer dar uma chance a ele.

De que adianta dizer em público que quer a renovação do jogador, se na hora de provar tal apoio, não utiliza o jogador? Soa como se a renovação fosse um favor do clube para o jogador e, definitivamente, Lugano não é um jogador que precisa de favores. Pior ainda, quando Rogério foi anunciado, o uruguaio foi, do elenco, o mais entusiasmado com a chegada do Mito. Chegando a dizer que confia tanto no amigo que pularia de um prédio atrás dele. Mas parece que a confiança não é recíproca, da parte do Mito. Esse episódio chega a parecer uma verdadeira traição, por parte do Rogério, com aquele que foi seu maior partidário.

Essa novela foi um drama muito triste que eu preferia não ter assistido.

Estes, meus caros, são os 7 erros que considero que Rogério cometeu em sua missão como técnico do nosso Tricolor.

Entendam que este artigo não tem a função de “pedir a cabeça” do Mito. Pelo contrário, eu espero que ele supere suas falhas e consiga fazer o milagre de retomar as vitórias e atingir o objetivo que ele mesmo traçou para si, que é o de se classificar para a Libertadores. Este nada mais é do que um desabafo de alguém que sofre por ver o time capengando nas mãos daquele que considero o maior ídolo da história do Clube.

Apesar de tudo, eu espero que haja paciência da torcida e, principalmente, da diretoria. Pois a situação ainda é reversível e o Rogério, além de inteligentíssimo, está muito bem assessorado pelos gringos. Seus erros seriam muito menos visíveis se ele tivesse um time de qualidade para trabalhar.

De qualquer forma, errar também ensina, só espero que o Mito aprenda com seus erros a tempo de corrigi-los. Antes que a torcida ou essa diretoria incompetente percam de vez a paciência.

Comentem abaixo o que vocês pensam a respeito do artigo e da atual situação do clube e também do nosso eterno capitão frente ao São Paulo.

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