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Fazer o bem, não importa a quem

Em ação social feita pela Dragões da Real na cidade de Jaú, foto fez com que família reencontrasse morador de rua

Na semana passada, a Dragões da Real de Jaú, uma das torcidas organizadas do Tricolor, saíram de casa para entregar cachorros quentes a moradores de rua.

Ao chegarem ao terminal rodoviário, encontraram um senhor em situação de rua com a camiseta do rival SCCP e entregaram a ele um sanduíche e foram embora para fazer doações em outro local. Ao voltarem à rodoviária, encontraram o corintiano repartindo o único cachorro quente com outros moradores de rua que haviam aparecido depois.

Comovidos com a demonstração de solidariedade, os torcedores entregaram lanches para todos e tiraram uma foto ao lado do corintiano. A imagem foi postada no perfil do Instagram da Dragões da Real e, então, a mágica aconteceu.

Entre todos os comentários elogiando o gesto, um deles chamou atenção. Era o açougueiro Israel Cavalcanti, de Campinas.

“Já fiz parte da Independente e sigo todas as torcidas do São Paulo”, explicou o açougueiro. “Quando me deparei com a foto, pensei na hora: ‘É o Tiziu!’ É o padrasto da minha mulher que está desaparecido há 12 anos. Ninguém sabia onde ele estava, se estava vivo ou morto.”

Tiziu é o apelido de Oide Felisberto Fernandes, que afirma ter 47 anos. Israel enviou a foto para sua mulher e para a mãe dela, Márcia, para confirmar o reconhecimento. Todas elas viram naquele homem o ex-marido de Márcia, pai de três de suas filhas.

Israel havia conhecido a família de Tiziu e Márcia quando todos moravam em uma ocupação e lutavam por moradia. O casal também viveu em situação de rua por muitos anos e, por circunstâncias da vida, afirma Márcia, acabou se separando. Ela não sabe dizer o que levou Tiziu a se afastar e ir viver em Jaú. Ele estava sumido desde 2008. “As filhas ficaram esperando o pai em vários Natais.”

O presidente da Dragões da Real reencontrou Tiziu na tarde de ontem (7) e tocou um áudio da ex-mulher falando ao ex-marido. “Eu tô chorando de alegria”, disse o corintiano à reportagem. “Ainda mais agora que acabei de ouvir a moça que é a mãe das minhas filhas. Isso acelera o coração do velhinho. Ela nunca fechou as portas pra mim.”

Tiziu agradeceu aos torcedores do São Paulo que o acolheram e promoveram sua reaproximação com a família. “Sou corintiano nato, isso não tem como mudar, mas encontrei esse pó de arroz que tá fazendo tudo isso pra mim agora”, afirmou. “Pó de arroz” é um dos apelidos que se costumava dar a torcedores do São Paulo.

Foto:  Divulgação Dragões da Real Jaú

Fonte: UOL Esporte

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Escrito por Natália Milreu