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Ex-zagueiro do São Paulo chegou a vender medalha do Mundial por vício em drogas

Ex-jogador conta como de conquista do Mundial de Clubes de 2005 acabou se viciando em drogas e vendendo até a medalha da conquista

Flávio Donizete foi campeão do mundo pelo São Paulo em 2005. Não entrou em campo, mas fez parte do elenco e ganhou a medalha pela conquista no Japão. 

E o vício em cocaína o fez até vender o símbolo daquele título. Em entrevista para o Globoesporte.com, ele conta o início da carreira, a conquista do Mundial e a venda da medalha para as drogas. 

COMEÇO DA CARREIRA

“Eu cheguei em 1998. Fiz uma peneira em Itapecerica da Serra (região metropolitana da capital paulista). O São Paulo fazia muita peneira naquela época e foi com um grupo de jogadores e comissão. Como eles não tinham time para jogar, a gente fez uma seleção de Itapecerica. Mas eu entrei por acaso. Faltou alguém, e eu fui treinar contra o São Paulo. O pessoal gostou, mas eu não tinha passado ainda. Joguei e fui para casa. Um tempo depois o São Paulo fez a peneira e passei. Eu e mais dois jogadores da época. Em 1998, eu cheguei e fiquei lá até 2009.”

IDA PARA O MUNDIAL DE CLUBES

“Na verdade eu não iria para o Mundial. Não estava inscrito. Fizemos um último treino para o pessoal poder viajar ao Japão, e eu seria emprestado. Mas, no último dia, o Alex Bruno machucou o tornozelo. Eu já estava indo embora, saindo na portaria do CT, e o pessoal pediu para voltar: “Pediram para você voltar porque o Autuori quer falar com você”. Para mim, ele ia falar que eu ia ser emprestado, eu já sabia. Nessa que eu voltei, ele falou: “Flávio, pega uma mala lá, porque você vai viajar com a gente. Você não vai ser inscrito, mas vai viajar com a gente””, falou. 

E completou: “Fiquei muito feliz, peguei a mala, fui para casa e no dia seguinte fui viajar. Tinha a classe executiva, a classe A e a única passagem que tinha era a classe executiva. Eu fui de classe executiva! Era um avião de dois andares, negócio fora do normal. E eu fui. Cheguei lá sem estar inscrito, comecei a treinar com o pessoal no Japão e o Alex Bruno se recuperou. Mas para mim só de estar ali já estava bom. Eu estava treinando normal e na véspera da nossa estreia o Leandro Bonfim abriu a virilha e como só tinha um a mais, que era eu, fui inscrito. O Leandro Bonfim ficou assistindo ao jogo da arquibancada, e eu fiquei no lugar dele e pude participar do banco de reservas.”

A CONQUISTA DO MUNDIAL DE CLUBES

“Eu nunca tinha viajado para um lugar tão longe como o Japão. Eu cheguei lá em outro nível, outro mundo. O hotel era extraordinário, nunca tinha entrado em um hotel daquele lá, muita coisa. Cheguei lá e tinham algumas pessoas que já me conheciam, me trataram bem também. Uma coisa fora do normal. Eu fiquei no quarto com o Bosco. Ele me ensinou muito naquele momento. Até então eu estava um pouco desviado… Depois da conquista, voltei ao Brasil e aquela passeata, um monte de gente esperando a gente, aquilo é uma coisa que eu vou levar para o resto da vida.”

FIM DO CONTRATO COM O SÃO PAULO

“Fiquei até o começo de 2006, mas aí chegou o Muricy, ele tentou me usar como volante, como lateral-direito… Só que aí chegou o André Dias, o Pirulito (Alex Silva) também, começou a chegar muito zagueiro. Ele tentou conversar comigo, me utilizar de todas as formas, mas como tinha muito lateral bom, ele falou: “Flávio, vou ter que te emprestar”. Aí eu saí do São Paulo, fui lá para a Bahia, no Atlético de Goianinha, para disputar o Campeonato Baiano.”

“Aí, nessa trajetória, comecei a rodar bastante também. Fui para o Nacional de Manaus, antes do Japão eu tinha ido para o Los Angeles Galaxy e comecei a rodar um pouco. No São Paulo, eles queriam me deixar no time B. Eu poderia conseguir algo melhor, mas como estava com muita vontade de sair, de querer jogar, dei um passo maior do que a perna e me compliquei um pouco. Em 2009, acabou meu contrato com o São Paulo e foi aí que as coisas começaram a acontecer na minha vida.”

VENDA DA MEDALHA

“Eu usava igual louco. Aí quando eu vendi (a medalha), chegou o dinheiro e torrei quase tudo na cocaína. Na primeira pancada foi mil reais de cocaína. E eu usei em dois dias. Deu ataque, coisa no coração… O vício falava mais alto, mais forte. Quanto mais dinheiro eu tinha, mais queria.

A medalha foi recuperada. Está de novo com o ex-zagueiro. Mas sua maior conquista no período de recuperação foi poder cumprir o prometido à filha Flavia: largar as drogas e se manter sóbrio.

Hoje, aos 36 anos, o ex-zagueiro vive em Americana, no interior de São Paulo, e está “limpo”, como diz. Ainda sonha poder jogar profissionalmente, mas está feliz trabalhando como jardineiro. A ajuda de Mineiro e Hernanes, ídolos do Tricolor, tem sido fundamental.

Foto: Arquivo pessoal
Fonte: Globoesporte.com

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Escrito por Natália Milreu