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Ceni: Será que ele leva o São Paulo ao topo da tabela?

Ceni, em Itaquera. Foto: Rubens Chiri / SPFC

Depois de conquistar a América e o mundo como jogador, Rogério Ceni, agora como técnico, quer recolocar o tricolor na primeira prateleira do futebol brasileiro

Até hoje, Rogério Ceni segue como o maior ídolo do São Paulo no século XXI. Desde a virada de século, nenhum outro jogador fez tanto sucesso com a torcida como o goleiro artilheiro. Além de lembrarem das grandes defesas e dos golaços de falta, torcedores ligam Ceni a uma época de absoluto sucesso vivida no São Paulo.

Porém, após a sua aposentadoria, o clube viveu um longo jejum de títulos, que foi quebrado com o título do Paulistão 2021. O comandante do título foi Hernán Crespo, demitido pouco tempo depois do triunfo. Assim, Rogério Ceni foi o nome eleito para assumir o comando são-paulino.

Mas será que ele será capaz de levar o São Paulo ao topo da tabela no Brasileirão? Ou até mesmo ao título da Copa Sul-Americana e à conquista inédita da Copa do Brasil? Antes de conhecer o desempenho do treinador desde a sua chegada, relembre como foi a brilhante passagem de Ceni defendendo o gol tricolor.

Rogério Ceni, o goleiro

Proveniente do modesto Sinop-MT, Rogério desembarcou no Morumbi em 1990, com apenas 17 anos de idade. Sua estreia no profissional aconteceu em 1993, em um torneio amistoso disputado na Espanha. Logo de cara defendeu um pênalti, iniciando da melhor maneira possível.

Estreia e primeiro gol

No primeiro ano no time principal, o jovem Ceni integrou o elenco campeão da Libertadores e do mundo em 1993, que teve a batuta do mestre Telê Santana. Já o primeiro gol aconteceu em 1997, diante do União São João-SP. Depois foram mais 129 tentos até 2015, ano em que marcou seu último gol da carreira. Sem dúvida, o gol 100 marcado contra o Corinthians em Barueri foi um dos mais icônicos.

Atuação genial no Mundial

Entre 1993 e 2015, Rogério Ceni conquistou uma série de títulos pelo tricolor do Morumbi. O goleiro foi destaque na campanha vitoriosa na Copa Libertadores de 2005, conquista que garantiu o São Paulo no Mundial. Na Terra do Sol Nascente, Ceni contribuiu, e muito, para o título fechando o gol na final contra o Liverpool, com direito a uma defesaça na cobrança de falta de Steven Gerrard.

Capitão do tricampeonato brasileiro

Posteriormente, ele capitaneou o clube no tricampeonato consecutivo do Brasileirão (2006, 2007 e 2008). Graças a essas e outras conquistas, o São Paulo ficou conhecido como Soberano. Rogério, por sua vez, ganhou espaço reservado no coração da torcida, atingindo o status de ídolo incontestável. Além dos mencionados, Rogério possui mais outros 11 títulos, incluindo Copa Conmebol, Supercopa Libertadores, Copa Master da Conmebol, Recopa Sul-Americana e Copa Sul-Americana.

Último título

Aliás, vale lembrar que a Sul-Americana foi o último título são-paulino em nove temporadas A conquista de 2012 ficou marcada pela polêmica criada pelos jogadores do Tigre-ARG, que se recusaram a jogar a segunda etapa do jogo de volta da final.

O período foi conturbado, com mais baixos do que altos e vários treinadores. Ao todo, o São Paulo mudou o comando técnico em 11 oportunidades entre 2012 e 2017, ano que marcou a primeira passagem do treinador Rogério Ceni.

Rogério Ceni, o treinador

Após pendurar as luvas em 2015, Ceni decidiu apostar na carreira de treinador. A primeira oportunidade foi dada por um velho conhecido.

Primeiras quedas

Apenas dois anos depois, o craque já estava de volta ao São Paulo para comandar o time. No Paulistão, avançou como líder da chave, mas foi eliminado pelo Corinthians nas semis. Depois do tombo no estadual, a queda precoce na Copa do Brasil, antes das oitavas, abalou a confiança no técnico que ainda estava iniciando na profissão.

Eliminação na Sul-Americana

Com isso, o foco se voltou ao Brasileiro e à Sul-Americana. Na competição continental, o clube mais uma vez foi eliminado antecipadamente, na primeira fase contra o Defensa y Justicia. Aos torcedores, acostumados com êxitos em torneios internacionais, a eliminação foi considerada como vexame.

Fatídica derrota contra o Flamengo

Ceni estava na corda bamba, precisando de bons resultados para manter o cargo. No entanto, semanas após a eliminação na Sula, o ex-goleiro acabou sendo demitido pela diretoria. A gota d’água foi a derrota por 2 a 0 diante do Flamengo. A primeira passagem durou 37 jogos, com 14 vitórias, 13 empates e 10 derrotas.

Passagens por Fortaleza, Cruzeiro e Flamengo

A demissão deixou Rogério Ceni livre no mercado. O Fortaleza se interessou no treinador e decidiu dar uma nova chance. Em sua primeira passagem, o técnico conquistou dois títulos cearenses, um da Copa do Nordeste e um do Brasileirão Série B.

Ceni ganhou prestígio depois de um trabalho consistente e vitorioso sob o comando do Fortaleza. Desse modo, recebeu outra oportunidade para subir mais um degrau na carreira.

Decidiu trocar Ceará por Minas Gerais, onde treinou o Cruzeiro em apenas oito jogos. Com o fracasso, ficou livre no mercado mais uma vez. Apenas dois meses após deixar o Fortaleza, Rogério já estava de volta ao tricolor cearense. Ficou até dezembro de 2020, quando rescindiu o contrato para assinar com o Flamengo. A passagem pelo Rio de Janeiro rendeu o primeiro título da Série A ao jovem treinador.

Retorno ao Morumbi

Vale lembrar que a saída do Flamengo foi conturbada, anunciada na madrugada do dia 10 de julho de 2020. Três meses depois, Hernán Crespo deixou o cargo de técnico do São Paulo, abrindo espaço para o retorno do ídolo ao Morumbi.

A meta era clara: livrar o time do rebaixamento. E o técnico não apenas garantiu a permanência, como também classificou o time para a Copa Sul-Americana.

Porém, o objetivo de 2022 é completamente diferente, a meta é que o São Paulo retome o papel de protagonista. O único jeito é conquistar títulos. A diretoria, por sua vez, acredita que o time chegará a duas finais, conforme o orçamento estipulado para o ano vigente.

O primeiro semestre foi positivo. Afinal, o tricolor chegou a decisão do Paulista e passou por três eliminatórias na Copa do Brasil, atingindo as oitavas de final. Em um terço do Brasileirão, não fez grandes exibições, mas conseguiu se manter na metade de cima da tabela.

Já na Sul-Americana, onde Ceni decidiu em utilizar times mistos na fase grupos, avançou como o primeiro colocado da chave com cinco vitórias em seis jogos. Assim, o time carimbou o passaporte para a próxima fase. A estratégia de dar rodagem aos reservas serviu para poupar os titulares, que deverão ganhar espaço no mata-mata do torneio.

Diante do que mostrou na primeira parte da temporada, Rogério Ceni terá que trabalhar bastante para levar o São Paulo ao topo do Brasileirão. Trata-se de um campeonato longo, que exige um elenco recheado de boas opções. Portanto, o foco pode se voltar para a Copa do Brasil ou Copa Sul-Americana. Já você, apaixonado pelo tricolor paulista, pode encontrar uma casa de apostas confiável e dar seus palpites no seu time do coração.

Foto: Rubens Chiri / SPFC

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Escrito por Rodrigo Alcântara