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Bastidores do Mundial de 2005 do São Paulo

Sumiço de Mineiro, problemas com a tecnologia do Japão, lesão e discurso épico de Ceni, veja abaixo algumas histórias de bastidores da conquista do Mundial de 2005

Mineiro, autor do gol da vitória sobre o Liverpool na final do Mundial de Clubes de 2005, em Yokohama, no Japão,  fez o caminho inverso do restante dos jogadores.

Em entrevista para o Globoesporte.com, Renan, Souza e Marco Aurélio Cunha contam alguns bastidores da conquista do terceiro título do Mundial do Tricolor. 

“Ele foi dormir. A gente comemorando, bebendo cerveja com o troféu, tirando foto com as máquinas antigas, nem existia celular para tirar foto… Daqui a pouco a gente deu conta: “Cadê o Mineiro? Fez o gol do título e não está aqui comemorando?”. Fomos ao quarto e ele estava lá dormindo. A gente falou: “E aí Mineiro, você fez o gol do título, cara”. E ele: “Não, tô muito cansado, o jogo hoje foi muito duro”, disse. 

E completou: “Eu virei pra ele e falei: “Ah, Mineiro, dá licença. Eu estou quase me jogando lá pra baixo e nem entrei em campo, imagina se eu tivesse feito o gol?” (risos). Se eu tivesse feito o gol do título eu tinha quebrado o hotel todinho (risos).” 

O cansaço de Miniero tinha uma explicação. Souza conta o que aconteceu. 

“O primeiro dia foi o pior, foi um dia em que a gente teve de ficar acordado até tarde. Quando chegamos lá era de manhã e noite aqui (no Brasil) e tivemos que segurar até o fim do dia. Foram dois dias ruins para adaptação”, falou. 

Além da dificuldade com o fuso-horário, a delegação sofreu com a tecnologia no Japão. Renan, por exemplo, ficou sem ver a luz do sol em seu quarto compartilhado com o ex-meia Danilo, porque nenhum deles descobriu como abrir a cortina.

“A gente se atrapalhava muito lá. No Japão eu me atrapalhei muito, me atrapalhei com uma cortina. O botão era de um lado e a gente não sabia. Estava eu e o Danilo no quarto, e a gente não sabia como abrir e passamos uma semana sem abrir a cortina do quarto. A privada também era cheia de botão. Era água quente, água gelada… Para que tudo isso em uma privada? (risos)”, contou. 

Souza também passou pelo mesmo problema da privada…

“Diferente era o vestiário no Japão. Eu cheguei e me deu uma dor de barriga. Fui ao banheiro e tinha um buraco no chão. Eu chamei o tradutor e perguntei do sanitário. Ai ele falou: “Não. Aqui você fica de cócoras e manda brasa” (risos). Já no hotel a tampa do vaso que a gente senta era aquecida e tinha vários botões. Eu achei que eu estava jogando ‘Street Fighter’ (risos)”, contou. 

Lesão e discurso épico de Ceni

Um dia antes da final diante do Liverpool, Rogério Ceni preocupou os médicos. Durante treino, o goleiro sentiu fortes dores no joelho e precisou de atendimento. Além do médico José Sanchez, no clube até hoje, o diretor na época era o também médico Marco Aurélio Cunha.

“Ele durante um treinamento sentiu um estalo no joelho, e ele é tão perspicaz e tão inteligente que ele falou: “Marco, lesionei o menisco. Senti alguma coisa na região interna do joelho, acho que lesionei o menisco”. Aí eu examinei e percebi mesmo nos testes médicos uma certa crepitação no joelho e fez uma lesão mesmo no menisco. Mas falei: “Olha, Rogério, pode ser uma lesão no menisco, mas não vem ao caso agora porque é completamente contornável. Essas lesões são simples, depois do jogo a gente vai corrigir isso no Brasil”, relembrou. 

Renan recorda que no vestiário, antes de a bola rolar naquele dia 18 de dezembro, o discurso do capitão do Tricolor foi uma injeção de ânimo em todo o elenco.

“Uma coisa que marca muito até hoje, lembro da cena e me emociono foi o Rogério no vestiário falando antes do jogo. Ele apontou para o símbolo do São Paulo e falou: “A gente tem a chance de mudar a história do São Paulo, mudar o símbolo do São Paulo. A gente pode colocar mais uma estrela nesse símbolo. E quando a gente voltar para o Brasil, no nosso próximo jogo, vai ter mais uma estrela no nosso símbolo“. Isso daí marcou muito na minha cabeça. Hoje quando eu vejo o símbolo do São Paulo com as três estrelas vermelhas, marca”, finalizou. 

Veja fotos do arquivo pessoal de Souza:

Souza, Alex Bruno e Renan, do São Paulo, no hotel em Yokohama — Foto: Arquivo Pessoal Souza

Souza posa ao lado de telefone público no Japão — Foto: Arquivo Pessoal Souza

Amoroso e Júnior posam com taça do Mundial de 2005 — Foto: Arquivo Pessoal Souza

Lugano, Alex Bruno e Ceni no Mundial de 2005, com o São Paulo — Foto: Arquivo pessoal Souza

Jogadores do São Paulo na viagem ao Mundial de 2005 — Foto: Arquivo pessoal Souza

Denilson, Alex Bruno e Richarlyson no vestiário no Japão — Foto: Arquivo pessoal Souza

Richarlyson e Danilo durante refeição no Japão — Foto: Arquivo pessoal Souza

Souza ao lado de Fábio Santos, Flávio Kretzer e Grafite — Foto: Arquivo pessoal Souza

Foto: Divulgação
Fonte: Globoesporte.com

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Escrito por Natália Milreu