Atacante fala do preconceito que sofreu por sua forma física

Gláucia, nova atacante do Tricolor para esta temporada, contou em entrevista que sofreu com o preconceito que teve nas redes sociais por sua forma física 

O São Paulo estreia no Brasileirão da Série A1 no dia 9 de fevereiro, contra o Cruzeiro, fora de casa. Para esta temporada, os dirigentes são-paulinos mantiveram 13 jogadoras no elenco, trouxeram oito reforços e subiram cinco jovens da base sob o comando de Lucas Piccinato.

Gláucia é uma das novas jogadoras que chegaram este no no Tricolor. A jogadora se destacou na temporada de 2019 no rival, e foi eleita a melhor atacante do ano pela CBF. Além disso, ela marcou 19 gols e deu 18 assistências.

Para chegar até essa fase boa de sua carreira, a atleta superou problemas além do campo, como o preconceito com o seu peso. 

A centroavante ganhou peso após uma passagem que quer esquecer no futebol da Coreia do Sul, onde entrou em depressão por sentir falta do Brasil e não poder voltar. De lá para cá, sua parte física mudou bastante, mas conseguiu se adaptar às condições atuais de seu organismo. 

“Teve um jogo que eu saí, tinha feito gols, joguei super bem, mas aí eu entrei na minha rede social e vi uma galera falando “vai para a Seleção” e outra “mas como, se ela está gorda?”. Aquilo me machucou muito, eu estava dirigindo, mexeu muito com a minha cabeça. Foi aí que eu liguei para a Maurine, que foi uma das pessoas que mais me ajudou no ano passado, estava muito triste, não queria mais jogar, pensei em tomar remédio para emagrecer… E claro que isso acaba afetando.”

“Haters na rede social”

“As pessoas cornetaram bastante, são bem maldosas, chamavam de “gorda, isso e aquilo”. Então me superei bastante, não deixei isso entrar, mas algumas vezes deixava, aí eu tinha uma parceira muito alegre, que é a Maurine. Ela me ligava e falava para eu não ficar daquele jeito, isso me ajudou bastante, espero que isso não aconteça aqui no São Paulo, porque eu vim aqui só para ajudar.”

“Isso acontece com outras pessoas, não só comigo, porque vocês sabem da minha história, mas tem menina que é muito pior, que é agredida na rua “olha a gorda” ou “está magra demais”, as pessoas têm que parar com isso, porque se a pessoa está vivendo bem, está se sentindo bem , por que vocês vão agredir? Acho que as pessoas têm que começar a colocar a mão na consciência, pensar nas coisas que falam, porque machuca bastante, me machucou muito no ano passado”

Sentimento como grande reforço e substituir Cristiane

Olha, tem muita menina boa aqui, eu vou ralar para jogar. Na verdade eu não levo isso como peso, acredito que com tudo o que eu fiz no ano passado, a expectativa é grande para este ano, vou levar as coisas de forma natural. A Cristiane o currículo dela fala por si só. Não é uma troca, um peso, estou sendo eu, então espero que o São Paulo não me veja como um troca de Cristiane por Gláucia, mas sim como um grande reforço, como uma grande expectativa, porque me valorizaram bastante, que é o mais importante para mim.

Por que quis vir para o Tricolor? 

Jogar no São Paulo é uma grandeza enorme, tinha muita são-paulina pedindo para eu vir para cá. A decisão foi para mudar de ciclo, eu fui para o Santos por causa da Emily, uma treinadora muito importante na minha carreira, me fez jogar muito. Não desmereço quem está lá agora, que é o Gui (Guilherme Giudice), gosto muito dele, mas levei em conta a valorização que o São Paulo deu para mim, principalmente financeira. O clube procurou meu empresário, então o que aconteceu não foi “você vai largar o Santos para ir para o São Paulo”, na verdade foi que eu senti uma valorização muito grande do São Paulo, jogar em São Paulo, jogar o Paulista, o Santos queria renovar, mas eu queria mudar de ciclo.

Expectativa para esse ano no Tricolor?

Minha expectativa não muda muito do que eu venho fazendo todo ano. Centroavante tem que fazer gol? Tem que fazer gol, mas eu não levo isso assim, acredito que se o São Paulo puder vencer com um passe meu, com um gol meu ou ajudando na parte defensiva, isso vai ser o mais importante. Claro que, individualmente, eu penso bastante, porque eu quero chegar no topo de novo. Não dá para chegar no topo e não se manter, é uma coisa que eu penso bastante, sentada na minha cama, converso comigo mesma, é uma coisa que eu planejo bastante fazer este ano. Espero que a expectativa de todos seja concretizada, com grande futebol e não mudar muito do que eu faço.

Estrutura que o São Paulo oferece para o futebol feminino

Para quem chegou nas finais do ano passado com essa estrutura, não tem o que falar. Acredito que todos têm o que melhorar, você vai encontrar defeitos em todos os times, seja no São Paulo, seja no Corinthians, todos vão ter algo para melhorar. Então acredito que o São Paulo tenha o que melhorar, mas a gente não tem que focar só nisso, temos que focar no que o São Paulo fez no ano passado. O clube fez um ano muito bom e são nessas coisas que eu estou focando, claro que isso caiu na mídia e todo mundo quer que melhore, acho que tem que melhorar, mas as coisas estão caminhando, foi o primeiro ano no ano passado e as coisas vão melhorar, eu acredito.

Chegar na Seleção Brasileira 

“Tudo o que está acontecendo a expectativa é grande, não só de vocês, mas minha também, do São Paulo também. Espero que seja melhor do que o ano passado, não vou mudar o meu jeito, não vou mudar como eu jogo, então tudo isso vai ser mérito dos meus treinamentos, espero que chegue numa forma que eu possa ser convocada e é isso que eu estou almejando. Falei que não era isso que eu pensava, mas a cobrança é grande, as pessoas me perguntavam o porquê de eu não estar na Seleção, então vou focar para que isso aconteça.”

Foto: Divulgação
Fonte: Terra.com