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Araruna conta sua vida na Inglaterra, fala sobre Ceni e São Paulo

Revelado no São Paulo, Araruna jogou pelo Fortaleza com Ceni e hoje defende o Reading, time da segunda divisão inglesa

Araruna ficou quase uma década no clube do Morumbi, sendo campeão na base da Libertadores sub-20, além de duas Copas do Brasil da mesma categoria. Profissional desde 2016, fez 41 partidas entre os profissionais são-paulinos.

No ano passado, a pedido de Rogério Ceni, ele esteve emprestado ao Fortaleza, no qual atuou 21 vezes. Em 2020, o jogador foi para o time inglês, no qual já fez três partidas.

Veja a entrevista que o jornalista Vladimir Bianchini, da ESPN fez com Araruna:

Como foi a temporada passada emprestado ao Fortaleza?
Foi uma temporada muito boa pelos resultados. Cheguei em março e fomos campeões da Copa do Nordeste e do Estadual. Foram títulos que marcaram a minha carreira. Além disso, a gente fez a melhor campanha da história do clube no Brasileiro e garantimos vaga na Sul-Americana. Foi um ano histórico. A torcida do Fortaleza é muito apaixonada e vive muito o futebol. Quando você entra em campo é algo muito diferente.

Como é a relação com o Rogério Ceni, que sempre te elogiou e pediu sua contratação?
Sempre tive uma ótima relação com o Rogério Ceni desde o São Paulo. É um cara que cobra muito nos treinos para que nos jogos aconteçam as coisas da forma que foram treinadas. É um dos méritos dele para que o time esteja tão bem. A gente conversava bastante. Foi um cara que me ajudou muito a crescer dentro do futebol. Busquei aprender com ele para construir a minha história.

Como surgiu o Reading na sua vida?
Depois que terminou o Brasileiro eu tive algumas ofertas do Brasil e o Fortaleza queria que eu ficasse por empréstimo. Como eu tenho nacionalidade europeia também vieram clubes de fora. O Reading veio com uma boa oferta e eu achei ótimo. Eu tinha uma vontade de atuar no futebol inglês.

Você foi vendido pelo São Paulo?
Eu fui cedido sem taxa de transferência ao Reading pelo São Paulo, que manteve uma porcentagem em uma futura venda.

Fale sobre os primeiros dias na Inglaterrra.
Eu fui muito bem recebido por todo mundo. Fiquei surpreso com a recepção no clube. O treinador no meu primeiro dia fez questão de me esperar para conversar comigo. Ele me deu as boas-vindas, explicou como é o clube e disse que gostava do meu futebol e me acompanhava. Todo mundo está preocupado em ajudar e me deixar confortável. Os jogadores demonstraram muito boa vontade. Foi muito tranquila a mudança.

Está se virando bem com o inglês?
Eu já falava inglês, mas ainda precisava praticar no dia a dia. Nos primeiros dias eu me comunicava, mas errava bastante, Hoje, as coisas estão mais fáceis.

O Rafael Cabral te ajudou?
Muito. Assim que teve a transferência, nós conversamos por WhattsApp e ele disse que me ajudaria no que fosse necessário. No dia a dia ele foi me explicando como era o clube. Ele foi a pessoas que mais me aproximei por sermos os únicos brasileiros do elenco.

O auxiliar-técnico do Reading é o O’Shea, ex-Manchester United. Como é a relação com ele?
O Foi curioso que não sabia que o O’Shea estava trabalhando aqui. Tomei um susto quando o vi e o reconheci na hora. Eu acompanhava muito futebol inglês. Foi algo diferente. É um cara que tenta ajudar todo mundo. Está em todos os treinos e jogos. Ele é membro da comissão técnica, tem muita moral na Inglaterra. Um cara muito vitorioso.

Ele fala dos brasileiros e dos tempos de United?
O O’Shea já falou que sempre gostou da qualidade dos brasileiros e vê esse potencial em mim. Ele costuma falar para o grupo sobre as histórias do United . É muito respeitado.

Quais os jogadores mais conhecidos do elenco?
Tem o Charlie Adam, ex-Liverpool e Stoke City, que já conhecia pela TV. O Borré, campeão da Libertadores pelo River, e o Rafael Cabral, que é uma referência para a gente. Um cara muito vitorioso na carreira. Tem o Puscas, principal atacante da Romênia também.

Quais as maiores diferenças do Brasil para a Inglaterra?
As maiores diferenças são na força física, na velocidade e na intensidade dos jogos na Champioship em relação ao Brasil.

E a estreia?
O treinador pediu para eu fazer uns treinos e já me levou para o banco em um jogo, mas o lateral-direito se machucou e não tinha outro. Ele sabia que eu já tinha jogado assim e entrei no primeiro tempo. Ele perguntou se eu estava pronto e acho que fiz uma boa estreia. Fui depois titular como volante e joguei mais um jogo. Aí teve a paralisação.

Vocês estão em 14º na segunda divisão. Ainda dá para brigar pelo acesso?
Ainda temos nove partidas e temos como brigar pelas vagas nos playoffs e brigar pelo acesso para a Premier League. Ainda dá tempo.

E a cidade?
A cidade estava mais calorosa e com mais gente na rua. Nos supermercados é meio assustador porque você vê várias prateleiras vazias. Nunca tinha visto isso na vida. Coisas que você precisa comprar e não acha. As ruas estão meio vazias. Mas acho que se todos se conscientizarem e seguirem o que mandam os problemas serão minimizados.

Como o coronavírus mudou a rotina do clube?
Aqui chegou o coronavírus antes do que no Brasil. Estávamos nos preparando para um jogo de portões fechados no sábado porque já tinham alguns casos ocorrendo na Inglaterra. Mas depois eles suspenderam o futebol e fomos para casa. Ontem voltamos aos treinos porque ninguém tinha sido infectado com o vírus. Todo dia tem reunião para atualizar a situação e do que devemos fazer. Temos que ficar em casa. O clube fornece álcool gel em todos os departamentos e nos incentiva a lavar as mãos.

FOTO: Divulgação

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Escrito por Rodrigo Alcântara