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Pablo mora no CT ‘respirar o São Paulo’

O atacante são-paulino falou sobre a decisão de morar no clube nesses primeiros meses de casa, da obsessão por títulos e da família

Em entrevista para o LANCE!, Pablo contou como é a sua rotina no Tricolor e revelou, para a surpresa de muitas pessoas, que atualmente mora no CT da Barra Funda, e decidiu fazer isso para apressar a adaptação. 

O atacante mal chegou no clube e já está presenciando um momento conturbado, logo no início de temporada, eliminação na Liberatdores, troca de técnico, protestos. 

Em meio a tudo isso, a convicção de ter feito a escolha certa ao rejeitar propostas até melhores para jogar no São Paulo segue intacta:

“Firme, forte e com 100% de certeza”, disse. 

Veja o que ele falou sobre o São Paulo, obsessão por títulos e família: 

MORAR NO CT

“Eu fico muito tempo dentro do CT, muito mesmo. Eu respiro o São Paulo. Fico vendo como funciona o dia a dia, já conheço todo mundo que trabalha aqui e estou feliz pelo fato de o São Paulo ter aberto as portas para eu ficar aqui dentro, sei que não é fácil manter um jogador dentro do CT. O Raí (diretor) e o Alexandre (Pássaro, gerente) me deixaram muito confortável para que eu me adapte o quanto antes.”

AVALIAÇÃO DESSE INÍCIO DE SÃO PAULO FC

Eu estou feliz por estar no São Paulo, mas chateado porque queria estar na fase de grupos da Libertadores. Acabou que não aconteceu, agora tem que pensar para a frente. Eu decidi ficar os primeiros dois, três meses morando aqui, devido ao nascimento do meu filho e também para conhecer, para me adaptar o mais rápido possível ao clube, à rotina. Estou muito feliz com meu início, com a minha adaptação, com os gols… Mas quero que a equipe ganhe campeonatos, que vença. Foi uma frustração para a gente não se classificar na Libertadores. Foi muito frustrante, mas tenho total convicção de que faremos uma grande temporada. Ainda tem Paulista, Brasileiro e Copa do Brasil.”

PRIMEIROS MESES LONGE DO FILHO

“Foi uma coisa definida antes, logo que teve o acerto com o São Paulo. Já estava tudo programado para o nascimento ser em Curitiba, o hospital, a médica da minha esposa, enfim… Mudar na véspera do nascimento seria algo muito difícil para a minha esposa, então a gente decidiu assim. Obviamente não está sendo fácil ficar longe. Sempre que tem uma folga eu vou para Curitiba, fico o mais próximo possível do meu filho e da minha esposa.”

AVÔ SÃO-PAULINO

“É o pai da minha mãe. Ele sempre foi muito presente. Meu pai fala que a qualidade veio do meu avô, falam que ele era muito bom de bola quando mais jovem. Ele é apaixonado por futebol, tenho um contato muito grande com ele, com a minha avó também. São pessoas que sempre me apoiaram e me incentivaram.”

Ele era ponta esquerda, bom de bola. Quem dera fazer dupla com ele (risos). Joguei bola com ele quando era menorzinho, nessas festas de família a gente brincava. Claro que ele já tinha uma idade, mas lembro que ele era muito bom.”

TEM UM GRANDE CONHECIMENTO DA HISTÓRIA DO CLUBE, ACOMPANHAVA QUANDO CRIANÇA?

“Eu sou aquele cara que não gosta muito de ver jogo, mas gosto de história. A história do clube é cativante, é uma história de conquistas, não tem como você não conhecer. Toda pessoa no Brasil sabe o que é o São Paulo, a história que tem. Isso foi uma das coisas que mais me cativaram quando o São Paulo demonstrou interesse em mim. Foi o primeiro clube que demonstrou interesse, foi o primeiro que chegou até mim para conversar, e óbvio que optei pelo São Paulo pelo tamanho, pela história, pela tradição, por ser uma equipe que está sempre brigando por títulos. Eu sei que está há algum tempo sem vencer, mas isso também é normal no futebol. Quando você chega no São Paulo você sabe da ambição que o clube tem para vencer todos anos. Isso foi uma coisa que me deixou encantado. Espero fazer história aqui.”

JOGADORES HISTÓRICOS

“​Ah, tem muitos. Careca, que eu não vi jogar por causa da idade, Luis Fabiano.. Não só da minha posição. Tem Kaká, jogadores históricos do clube que te encantam e marcam sua infância. Pô, Rogério Ceni, Raí… São ícones e ídolos da história do São Paulo.”

RAÍ COMO CHEFE

“Tenho muito respeito e admiração por ele. É um cara muito tranquilo, que cobra na hora que tem que cobrar, apoia a hora que tem apoiar. Ele foi jogador, então entende o lado do atleta, dá conselhos. É um cara tremendo, uma honra trabalhar com ele.”

CONTATO COM O LUGANO

“Ele fica com a gente, sim. É um exemplo de tudo, de garra, de raça, de vitórias…É um cara do qual você quer estar sempre perto. Ele me dá muitos conselhos, a gente conversa bastante. Admiro muito também e está na história do São Paulo.”

PRESSÃO DE ESTAR EM UM CLUBE QUE NÃO É CAMPEÃO HÁ ALGUM TEMPO

Quando você vem para o São Paulo, já tem que estar na sua mente que é preciso vencer, é preciso ser campeão. O clube é acostumado a vencer, acostumou o torcedor a vencer. O São Paulo foi campeão da Sul-Americana em 2012, querendo ou não já faz um tempo. Já faz um tempo também que não é campeão nacional. Você vem com essa pressão, com esse peso, mas eu tenho certeza que faremos um grande ano. É nosso objetivo ser campeão. Esse é nosso objetivo. Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro… É ser campeão para entrar na história do clube e para dar alegria ao torcedor. Óbvio que quando você chega em um clube dessa grandeza você já vem com um peso. Não pelos anos sem título, mas por toda a história. Eu acho e acredito muito que nós temos um grande elenco, com potencial de ser campeão, por isso que decidi vir para o São Paulo. Óbvio que no fim do ano passado o time deu uma oscilada e não foi campeão, mas me encantou quando eu estava no Athletico e via jogando, era líder e estava muito bem.”

COMO É LIDAR COM TROCA DE TÉCNICO LOGO NO COMEÇO DA TEMPORADA? 

“O Cuca teve um problema sério de saúde e está se recuperando. O Vagner é o treinador agora, ele é que está comandando e colocando as ideias dele. É óbvio que toda troca de treinador gera aquela expectativa da torcida, dos jogadores, de evoluir, de crescer, mas é uma coisa que todos aqui já estão acostumados. Sempre acontece. Ano passado, no Athletico, tivemos a entrada do Thiago no lugar do Fernando e a equipe evoluiu. É óbvio que hoje quem está cuidando é o Vagner, depois virá o Cuca e vamos ter que nos adaptar o mais rápido possível.”

A BOLA ESTÁ CHEGANDO MAIS NO ATAQUE?

A equipe está jogando um pouco mais compacta, está sendo vertical, estão acontecendo jogadas interiores e pelos extremos. A bola está chegando. Não que antes não chegava, é claro que chegava, mas acho que a equipe está ganhando mais corpo, mais confiança. Voltar a vencer faz com que você se solte mais dentro de campo, tira aquele peso. Isso está me ajudando individualmente e ajudando meus companheiros.”

Foto: saopaulofc.net

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Escrito por Natália Milreu