Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos

O São Paulo foi eliminado do campeonato paulista e da copa do Brasil dessa temporada, e o maior problema do time foi a desorganizada defesa

Não só no futebol. Os conjuntos defensivos de qualquer esporte são em quase todas as vezes o fator que leva um time vencer um campeonato, qualquer que seja a modalidade. Não precisa muito esforço pra perceber isso.

O Leicester City agigantou-se na temporada 2015-16 da Premier League jogando com intensidade defensiva e contra-ataques fulminantes. A Juventus contou com a defesa, típica dos italianos, para segurar o poderoso trio MSN, nas quartas de final da Champions League desse ano, e por aí vai. Em outros esportes, como no basquete, o time do Detroit Pistons foi capaz de parar Kobe Bryant e Shaquille O’Neal dos Lakers graças a um trabalho defensivo impecável que os levaram a glória em 2004.

No São Paulo, a situação não é diferente. Na nossa história, contamos com duplas de zaga vitoriosas e poderosas, como Darío Pereyra e Oscar (1980 à 1987) que juntos conquistaram 4 campeonatos paulista e um brasileiro. Tivemos Lugano e Fabão, vencendo o mundial e a libertadores de 2005. De 2006 a 2008, contamos com nomes como Lugano, Miranda, Alex Dias, Breno, André Dias, Edcarlos, etc. Sem dúvida, muitos jogadores inesquecíveis para a hitória do São Paulo já compuseram a zaga tricolor.

Até nos mundiais de 92 e 93, onde o time comandado pelo mestre Telê Santana priorizava o ataque, o jogo bonito, o “ganhar jogando bem”, a defesa tinha um peso gigante com Ronaldão e Adílson (as vezes Válber), e assim tinha-se o equilíbrio necessário que tanto precisa encontrar o técnico Rogério Ceni.

Nossa zaga titular hoje é composta por Rodrigo Caio e Maicon. Temos no banco Lugano, que vem quebrando o galho, Breno, que não entrou mal apesar de ter cometido vacilos até inesperados, Douglas e Lucão, e quem Rogério Ceni gosta muito e fez boas partidas no ano, significando quem sabe um recomeço.

No gol, temos duas opções, visto que para Denis foram dadas todas as oportunidades possíveis: Renan Ribeiro, hoje o titular, e Sidão, que decepcionou a torcida e foi atrapalhado por lesão no começo de seu trabalho.

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Mais a frente, temos Jucilei, que é ótimo marcador mas está mais para um 2º volante. Thiago Mendes, Cícero, João Schmidt, todos tem qualidade pra sair jogando, mas muitas vezes falham na marcação. Esse pode ser o problema. Tivemos times campeões fortes marcadores jogando na frente da zaga: Pintado, Dinho, Mineiro, Josué, Chicão, etc. falta esse cara. Falta o cara que “faz o trabalho sujo”.

O conjunto defensivo do São Paulo é obviamente bom, mas só no papel e individualmente.

Falta organização, falta alma, falta  o espírito de um time que quer ser campeão, falta um “5”.

Rogério vai ter 15 dias pra trabalhar e ajustar a defesa. O equilíbrio deve ser achado agora. Se todos os jogadores focarem e pararem de se importar com coisas que não interessam para o continuamento do trabalho, como criticar ou vangloriar um ato de fair play, o São Paulo pode sim voltar a ser uma das forças do Brasil.

E assim esperamos.

Foto: Divulgação

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