Juanfran: “Sei da história da São Paulo. Para mim é o maior de todos aqui no Brasil e na América”

Em sua entrevista coletiva, o espanhol Juanfran falou da grandeza do São paulo e exaltou o clube, mesmo sem ser perguntado

Veja na íntegra, a entrevista coletiva de Juanfran, que contou com Alexandre Pássaro, Raí e Lugano:

Raí

“Boa tarde a todos. Queria parabenizar também a diretoria e comunicação que fez um trabalho excepcional, já vinha fazendo. Estamos todos muito felizes com a chegada do Juan, já repeti várias vezes isso para ele. Desde as primeiras conversas existiu uma empatia muito acima do normal. É daquelas pessoas que parece que já conhece há muito tempo. Cada vez que fui conhecendo mais o Juan e seu agente, é uma pessoa muito cativante. Sinceramente, raríssimas vezes eu vi um atleta com tanta determinação e foco de querer novos desafios. Ele colocou o São Paulo como o lugar para isso. Como disse há pouco, o Lugano, desde o início, vinha falando com o Juan. Esse desejo, vontade e gana de querer fazer parte desse projeto com o São Paulo teve um papel importante, além de toda o currículo, carreira e capacidade física e técnica dele. Ele se junta como mais um grande líder dessa equipe.”


Lugano

“Um prazer receber Juanfran aqui no São Paulo, nosso Tricolor. É um motivo de orgulho para nós trazer um jogador de nível internacional como ele. Nos últimos oito anos foi titular indiscutível de um time de ponta da Europa. Achamos que o nosso clube e nosso vestiário precisa se globalizar mais um pouco com a filosofia que ele vai trazer. É uma escola de futebol que é a melhor do mundo na última década. Temos que ter a humildade de ouvir. Nada melhor que um jogador como ele, profissional. É uma posição que estávamos carentes nos últimos anos. Precisamos ser campeões, a cobrança é grande, então precisamos de jogadores com maturidade para absorver tudo isso. Agora é a bola e o campo que vão falar a verdade.”


Alexandre Pássaro

“O Juanfran, desde os primeiros contatos, demonstrou muito profissionalismo. O que mais nos cativou foi a vontade de vir para o São Paulo. É diferente do que querer vir para o Brasil. Isso acabou nos cativando. Nesses dois, três dias, nos encontramos com ele. Ele já estava começando a falar palavras em português. Isso mostra o preparo que ele teve. Nesses primeiros treinos já pudemos comprovar o que esperávamos no dia a dia. Juan, agora são suas palavras. Conte sempre com a gente, aqui é a sua casa.”


Juanfran

“Vou tentar falar um pouco português. Quero agradecer ao presidente, Raí, Alexandre e Lugano. A todos por ter confiado em mim. Estou muito feliz em ser Tricolor. Quero dizer a torcida que vou deixar minha vida por eles, agora são todos da minha família. Obrigado a todos por virem. Agora terminou meu português (risos).”

Sobre o motivo de ter escolhido o São Paulo: “Fiquei muitos anos na Europa, conquistei tudo que podia, só faltou a Champions, que conquistei dois vices. Fui campeão com a seleção, que é algo grande. Quando surgiu a oportunidade do São Paulo, não pensei um minuto. Para mim, é o melhor das Américas. Agora todos são da família. Claro que influenciou muito o fato do São Paulo querer um jogador de experiência, para ter uma equipe melhor, voltar a ser campeão. Estamos há muitos anos sem ser campeões, queremos voltar. Estou muito agradecido pois pensaram em mim para ser campeão. Agora é ir ao campo, tentar ser o melhor, como sempre fiz na minha vida. Estou muito feliz. Acredito que as coisas vão sair muito bem.”

Chega a um país atrasado? “Não penso que o Brasil está atrasado. Acredito que as coisas estão indo mais lentas que na Europa. Mas estamos vendo que está mudando. O futebol brasileiro e sul-americano está ficando mais forte, as equipes podem competir contra os europeus. O que eu mais queria era vestir a camiseta do São Paulo. Desde pequeno eu via o Raí jogar no PSG, a história de que ganharam do Barcelona no Intercontinental. Desde pequeno queria jogar fora do país. O São Paulo me deu essa oportunidade. Quero seguir trabalhando, aprendendo, quero ser uma melhor pessoa. Quero que as crianças do Brasil me vejam não só como um jogador, mas sim como uma grande pessoa.”

Sobre a lateral: “Temos uma grande equipe. Posso jogar em muitas posições, não tem problema. Posso fazer a lateral direita ou esquerda. Eu quero jogar, ajudar, seja um minuto ou noventa. Que eu seja um exemplo para meus companheiros, eu deixo a vida em campo, fiz em toda a minha vida. Por isso sai com um grande carinho da torcida no Atlético de Madrid. Eles viam que eu trabalhava, trabalhava, trabalhava e deixava a vida pela camiseta. Eu jogarei onde o Cuca quiser, vou deixar a vida pela camiseta do São Paulo. Se pode dizer muito, como estou fazendo agora, mas tenho certeza que estarão felizes em ter um jogador como eu no São Paulo.”

Sobre Daniel Alves: “Eu acredito que o São Paulo, quando pensou em mim e no Dani, pensou em dois jogadores de hierarquia, que podem ajudar a equipe em qualquer posição. Falei com o Cuca, tem um plano um pouco secreto (risos). Não posso contar. O São Paulo ganha muito com a nossa chegada. Não só pelo jogador, mas como pessoa. Vamos ajudar os mais jovens a serem melhores jogadores. Dani sabe, nos falamos. Queremos ajudar a equipe em qualquer posição. Cuca, com seu plano, já nos disse onde vai nos colocar.”

Sobre o futebol brasileiro: “Ídolos? Tenho dois aqui, um na direita e outro na esquerda. Pássaro também (brinca o espanhol). Lugano é um irmão para o Godin, e Godin é um irmão para mim. São dois ídolos, espero conseguir fazer um pouco que eles fizeram aqui. Eu gosto dos brasileiros. Já tive muitos companheiros brasileiros. Sempre tive boas relações com eles.”

O que você conhece do futebol brasileiro? “Nós vemos, da Europa, o futebol brasileiro sendo muito difícil. Há muitas equipes que ganharam os campeonatos nos últimos anos, na Espanha é diferente. É muito diferente. O torcedor desfruta mais aqui. Estamos em falta disso na Europa. O futebol brasileiro é diferente, vou me adaptar o mais rápido possível. O que mais quero é começar a jogar. Estou a disposição do Cuca a partir de amanhã. Acredito que vamos ganhar amanhã. A equipe tem que estar entre os melhores. Ano que vem queremos jogar a Libertadores, que é muito importante.”

Como você se avalia? “A minha despedida no Atlético foi incrível, com todo o carinho da torcida e dos funcionários do clube. Me emociono cada vez que penso, porque foram nove anos incríveis. Eu poderia seguir um ano a mais, o clube queria. Mas eu queria viver outra experiência na minha vida com a minha família, meus filhos. São Paulo é o melhor lugar. A cidade é muito bonita, com muitas pessoas, muito mais que Madrid, três vezes mais, muito trânsito (risos). Mas é uma cidade muito bonita. Espero que com a minha chegada ao São Paulo, jogadores importantes da Europa queiram vir ao Brasil. Outro caso é o Daniel Alves. Espero que tudo se saia bem, estou muito feliz.”

Sobre a marcação individual de Cuca: “Todos esses anos no Atlético tiveram uma equipe muito forte, que ficou muito tempo juntos. Era a mesma defesa. Eram muitos jogadores que estavam há muito tempo juntos. O Diego Simeone tem uma forma de jogar que é sair no contra-ataque. Agora é diferente. São Paulo não é uma equipe de contra-ataque, mas sim de jogar, ter a bola, ter jogadores de qualidade. Vou me adaptar rápido, porque tenho muita qualidade. Não vou ter problema em me adaptar. Penso que a equipe precisa acreditar em seu treinador, e nós acreditamos no Cuca. Percebi desde o primeiro dia que cheguei isso. Tenho certeza que é o melhor treinador que poderíamos ter.”

Torceu para o São Paulo ou Barcelona no Mundial? “São Paulo!”

Atlético de Madrid era uma equipe de Libertadores? “Tem toda a razão do mundo. O Diego Simeone nos dizia que nossa equipe era muito semelhante as equipes da América do Sul. Não dávamos uma bola por perdida. A torcida do Atlético é incrível, muito parecida ao que se vive na América do Sul, na Libertadores. Já me contaram que o São Paulo é uma equipe de Libertadores. As pessoas querem vir ao estádio ver a equipe jogar a Libertadores, que é muito importante. Tomara que podemos ser um time de Libertadores.”

Sobre a Copa de 2014: “Gostei muito quando estive no Brasil, com a seleção espanhola. Fizemos uma Copa ruim. Ganhamos a última partida, a única que joguei, então sai um pouco feliz (risos). Fiz uma grande partida, ganhamos, mas está claro que foi um Mundial triste, éramos os atuais campeões. Mas agora só tenho a dizer coisas boas de São Paulo, do Brasil, da comida. Está claro que há mais equipes aqui em São Paulo, rivais diretos nossos. Minha família agora é São Paulo. Espero que as coisas se saiam bem aqui, quero conquistar muitas coisas aqui.”

Ganhar a Libertadores seria como ganhar a Champions? “Já joguei onze ou dez finais com o Atlético. Ganhei oito e perdi duas. Essas cicatrizes da Champions são para a vida toda, ajudam a querer ser mais ambicioso. Acredito que temos que ter humildade. Sei que no São Paulo a pressão é grande, ainda mais com esses anos sem títulos. Mas temos que ir jogo a jogo. No Atlético íamos assim, partida a partida. Amanhã ganhar do Santos, semana que vem do Ceará e ganhar, ganhar, ganhar. Com essa humildade e pensamento, podemos voltar a realizar esses sonhos. Mas agora estamos longes, nem estamos jogando a Libertadores. Algo que me sinto contente na minha passagem no Atlético de Madrid, a torcida cantava que estava orgulhosa dos jogadores. O que mais quero é que a torcida são-paulina esteja orgulhosa do trabalho que fazemos.”

Sobre sua filosofia de jogo e vida: “Para mim o mais importante é ganhar. Podemos trabalhar e trabalhar para ganhar. Eu quero vencer, sempre. Podemos jogar melhor ou pior, mas para mim é igual, o que mais quero é vencer. Me considero um vencedor, não porque ganhei muito, mas por querer ganhar sempre. É essa filosofia que o Lugano fala, algo está mudando. Acredito que seja bom jogadores da Europa virem ao Brasil, acredito que seja bom para os jovens. O jogador tem que ser inteligente fora de campo, vou tentar passar isso para os mais jovens aqui do São Paulo. Não se ganha só com qualidade, precisa trabalhar.”

Mais sobre o futebol brasileiro: “Quando eu já sabia que eu ia assinar com o São Paulo, pude falar com o Felipe (zagueiro). Ele me disse que ia gostar muito. Me disse que eu vinha para um grande do São Paulo. Está claro que o futebol brasileiro, os jogadores, é um pouco mais tranquilo que a Europa. Venho de um futebol com o Simeone de intensidade, todos os dias. Não tinha um dia sem intensidade com Simeone. Tenho falado com o Dani que temos que tentar trazer isso ao São Paulo, ajudar nossos companheiros a serem melhores. Minha chegada foi muito boa, todos me receberam bem. Me respeitam, sabem o jogador que sou e que não vim para passear. Queria sair do Atlético como sai, jogando, tendo a confiança do treinador. Que minha opinião sobre o futebol brasileiro seja cada vez melhor.”

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