História em três cores – Toninho Cerezo

Com estilo clássico esse craque começou nas categorias de base do Atlético Mineiro, com passagem, por empréstimo, pelo Nacional de Manaus, em 1974

Antônio Carlos Cerezo, ou apenas Toninho Cerezo, nasceu em Belo Horizonte, no dia 21 de abril de 1955.

Em 1975 se tornou titular no clube, substituindo o grande Wanderley Paiva, até então titular absoluto. Naquele mesmo ano foi convocado, pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Nos 10 anos que passou no Clube Atlético Mineiro, se tornou ídolo e um dos jogadores mais tranquilos.

Já em 1983, foi vendido para a AS Roma por 10 milhões de dólares, maior negociação do futebol brasileiro até então, igualada a de Zico para a Udinese. Foi campeão da Copa da Itália, ao lado do compatriota Falcão. Três anos depois foi para a Sampdoria. No elenco genovês destacou-se no título da Recopa Europeia, no vice-campeonato da Champions League, no tricampeonato da Copa da Itália e na conquista inédita do Campeonato Italiano. A torcida ainda se lembra da última partida daquele campeonato, quando, no fim do jogo, ouviu-se nos alto-falantes do estádio uma música feita especialmente para ele. Cerezo era o maestro de um time em que jogavam astros e estrelas como Pagliuca, Mancini, Vialli, Dossena, Vierchowood e Lombardo, treinados pelo lendário soviético Konstantin Boskov.

Toninho era muito reconhecido por sua visão de jogo, na final da Champions de 1992, apesar de já contar com 37 anos, o Barcelona escalou seu melhor jogador, Bakero, para passar o jogo a marcá-lo.

No SÃO PAULO:

 

De volta ao Brasil, assinou com o tricolor paulista em 1992. Logo de cara, participou da conquista do Mundial Interclubes, quando a equipe superou o Barcelona (ESP), em Tóquio. No ano seguinte, comandou a equipe no bi da Libertadores e do Mundial. Na final de 1993, no Japão, contra o Milan, foi considerado o melhor em campo. Porém Cerezo teve atritos com o grande mestre e técnico Telê Santana e foi dispensado pelo clube em 1994.

+LEIA TAMBÉM: Muricy Ramalho elogia Ceni

Depois do São Paulo:

Cerezo brigou com a torcida do Galo em 1994 por ter ido jogar no Cruzeiro. Ele faria as pazes com os torcedores atleticanos em 1997, quando voltou ao Atlético. Ainda teve uma breve passagem pelo América Mineiro, mas voltou ao Galo para encerrar a carreira, tendo seu último jogo ocorrido na partida contra o Milan, na disputa da Copa Centenário de Belo Horizonte, em 1997 (o jogo ficou empatado em 2 a 2).

Como treinador:

Após sua aposentadoria como jogador, tornou-se supervisor do Atlético-MG e em seguida treinou a equipe por três meses. Foi para o Vitória comandar um elenco sem estrelas e levou o time às semifinais do Brasileiro de 1999. Em seguida, foi trabalhar como treinador no Japão, onde conseguiu um certo prestígio comandando o Kashima Antlers.

 

Cerezo venceu quatro vezes a Bola de Prata, sendo duas vezes Bola de Ouro, como melhor jogador do Campeonato Brasileiro. Levou, ainda, nove vezes o troféu Guará. Em 1981, foi escolhido o melhor jogador do Mundialito, disputado no Uruguai. Já em 1993, foi o melhor jogador da Copa Intercontinental.

+ LEIA MAIS: São Paulo deve pagar indenização a torcedor

Na Seleção Brasileira:

A ascensão de Toninho Cerezo coincide com a formação do esquadrão atleticano nos anos 70, que sucedeu à geração de Dario e Cia., campeã brasileira em 1971.

Telê Santana foi quem o lançou e ele logo chegou à seleção convocado por Osvaldo Brandão, grande admirador de seu futebol, mas que não se aguentaria no comando da seleção até o certame mundial. Em 1977, Cláudio Coutinho, um militar com formação em educação física, preparador físico de Zagallo nas copas de 1970 e 1974, foi indicado para treinar a seleção do Brasil.

Ainda assim, Cerezo, pelas atuações em campo, se transformou em jogador de confiança da seleção e foi convocado para a disputa do Mundial na Argentina em 1978. Na Copa, a atuação do jogador foi apenas razoável, em uma equipe que se destacou pela ‘mediocridade eficiente’. Não à toa, na seleção de Coutinho, Toninho Cerezo ficava mais preso em campo. Naquela época o jogador foi, por vezes, substituído por jogadores como Batista e Chicão, mais marcadores.

Em 1980, Telê Santana assumiu a Seleção Brasileira. Com Telê, que o lançara no Atlético Mineiro, Toninho Cerezo voltou a brilhar e compôs um escrete com craques como Sócrates, Zico, Luizinho, Júnior, Paulo Isidoro, Reinaldo, Oscar, Edevaldo, Valdir Peres e Éder, que marcou época no futebol mundial. O grande momento de Cerezo nessa época foi o Mundialito, em 1981, no qual foi o maestro da vitória por 4 a 1 sobre os alemães, onde levou o troféu de melhor jogador do certame. Ainda nesse ano, teve participação destacada no time que se classifica para a Copa de 1982 e cumpriu excelente excursão europeia, vencendo França, Inglaterra e Alemanha, com Cerezo, de novo, a marcar um gol decisivo.

https://www.youtube.com/watch?v=FRLqdwd3i7Q

Na Copa, não pôde atuar contra a URSS por estar suspenso. Após os primeiros e brilhantes resultados, veio a improvável eliminação do Brasil para uma Itália tecnicamente frágil mas taticamente disciplinada, por 3 a 2. Cerezo foi massacrado pela imprensa brasileira – sobretudo a carioca – pelo passe errado que originou o segundo gol italiano. A história registra, todavia, que ele formou, ao lado de Falcão, Sócrates e Zico um dos melhores meios de campo da história do futebol mundial.

+ LEIA TAMBÉM: Denis vê disputa pela titularidade ainda em aberto

Telê Santana retornou ao comando da equipe depois de algumas passagens de outros técnicos que não foram muito bem. Desconhecendo a realidade do futebol brasileiro de então, convocou uma Seleção com jogadores testados e aprovados em outras competições com ele, incluindo Cerezo.

Nesse contexto e, já na Sampdoria, Cerezo é convocado, mas não chega a jogar, contundido. A pressão é grande e Telê prefere não apostar na recuperação do craque. Curiosamente, leva Zico na mesma situação e a atuação do ‘galinho’ compromete o resultado da partida em que o escrete brasileiro é desclassificado, nos pênaltis, pela França.

A partir de 1987, Cerezo não foi mais convocado. Naquele ano, Carlos Alberto Silva, novo treinador, tentaria uma reforma ampla, que passava pela aposentadoria da geração de 1982, perspectiva que durou pouco.

 

TÍTULOS

Como jogador:

NACIONAL

Campeonato Amazonense: 1974

ATLÉTICO MG

Campeonato Mineiro: 1976, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983

Taça Minas Gerais: 1975, 1976 e 1979

Copa dos Campeões da Copa Brasil: 1978

Copa Centenário de Belo Horizonte: 1997

CRUZEIRO

Campeonato Mineiro: 1994

ROMA

Copa da Itália: 1984 e 1986

SAMPDORIA

Copa da Itália: 1988 e 1989

Recopa Europeia: 1990

Supercopa Italiana: 1991

Campeonato Italiano: 1990-91

SÃO PAULO

Campeão paulista de 1992

Copa Libertadores: 1993

Mundial Interclubes: 1992 e 1993

Supercopa Libertadores: 1993

Recopa Sulamericana: 1993 e 1994

 

Como treinador:

KASHIMA ANTLERS

Campeonato Japonês: 2000, 2001

Copa do Imperador: 2000

Copa da Liga Japonesa: 2000, 2002

Copa Suruga Bank: 2013

AL-SHABAB

Campeonato dos Emirados Árabes: 2007-08