HISTÓRIA EM TRÊS CORES: Muricy Ramalho

O jogador marcante que se transformou em um técnico inesquecível

Na história de todo clube existe um hall restrito apenas aqueles que tiveram grande vivência e contribuição para o crescimento da instituição, principalmente quando a questão é títulos conquistados dentro e fora de campo.

Nesse quesito, não poderíamos deixar passar essa semana sem homenagear de maneira ainda mais especial, sendo protagonista do HISTÓRIA EM TRÊS CORES, um personagem não só de tempos recentes mas também de décadas passadas dentro do tricolor do Morumbi: Muricy Ramalho.

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Antes do tricolor

Praticamente não existiu um período que antecedeu a vida futebolística do garoto fora do Soberano. Nascido em 30 de outubro de 1955 na capital paulista, Muricy teve sua primeira grande oportunidade de mostrar seu talento no antigo e extinto torneio Dente de Leite, idealizado pelos ex-repórteres esportivos da Gazeta Roberto Petri e Eli Coimbra, voltado para garotos de 8 a 10 anos.

Porém, foi apenas aos 15 anos que, conduzido por um amigo de seu pai, o ex-jogador Valdemar Carabina, o ainda muito jovem Muricy Ramalho comecaria a escrever uma linda história dentro do São Paulo Futebol Clube.

O estabelecimento de um ídolo como jogador

Com atuações que já mostravam a habilidade e visão de jogo com a bola nos pés, o meia-direito foi promovido ao time principal em 1971 por Oswaldo Brandão, treinador da época. Como a concorrência era pesada e desleal com uma jovem promessa, Muricy só conseguiu estrear dois anos depois, em um amistoso com vitória são-paulina por 1 a 0 diante do extinto União Bandeirante-PR.

A partir daí, seu talento como jogador só deu ótimos frutos ao tricolor. Foram sete anos envergando o manto sagrado, com 177  jogos realizados e 26 gols marcados. Além de muitas participações, o jogador Muricy Ramalho também conquistou três importantes títulos: Dois Paulistas (1975 e 1978) e o primeiro Brasileirão do clube, em 1977.

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Período pós-tricolor como jogador

Em 1979, Muricy se transferiu para o Puebla-MÉX, onde também se tornou referência atuando por sete temporadas consecutivas, e ganhou um título do campeonato mexicano (1982/1983). após o fim desse ciclo na América do Norte, em 1989, começaria a outra fase esportiva vitoriosa na vida de Muricy, como técnico.

A preparação para o ápice

Logo depois de encerrar a carreira dentro dos gramados, ele treinou o mesmo Puebla em 1993, saindo logo no fim do ano para fazer parte da comissão técnica campeã do Mundial Interclubes em 1993 e comandar o “Expressinho Tricolor” que ganhou a Conmebol e a Recopa Sul-Americana de 1994, além do Master Conmebol, em 1996

O início e meio da década de 90 ficou marcado para Muricy como um período de aprendizado, o qual ele é muito grato ao querido mestre Telê Santana, então técnico da “equipe principal”.

Depois desse início, foram vários títulos colecionados por onde quer que Muricy tenha passado: Copa e Supercopa da China, Gauchão, Pernambucano, Paulistão… todos angariando experiência para que, em 2006, Muricy Ramalho fizesse uma sequência que marcou a nova geração de torcedores são-paulinos.

“É, Muricy!”

O peso de chegar logo após um ano quase que perfeito para o clube, já que em 2005 a equipe só não venceu o Brasileirão, era imenso. Ainda mais para um técnico que, até então, não tinha no currículo um título a nível nacional dentro do Brasil como treinador de futebol. Porém, seria justamente em sua “casa” que Muricy se consagraria como um dos maiores treinadores da história do clube.

Foram três Brasileirões seguidos (2006,2007 e 2008) com um sistema de jogo seguro no aspecto defensivo, bolas aéreas quase que mortais e incessantemente eficiente no ataque. Reza a lenda que qualquer torcedor do São Paulo nesse período, ao ver o time sair a frente do placar, já ficava tranquilo e totalmente confiante na vitória, ciente de ter um time e elenco fortíssimo.

Mesmo no último título, em 2008, quando a equipe se encontrava a 12 pontos do líder Grêmio ao final do primeiro turno, a torcida, Muricy e os jogadores sabiam que, com união e respeito ao método de sucesso dos dois anos anteriores, o título viria. E veio.

Apesar do sucesso nos pontos corridos, os torneios de mata-mata sempre foram um verdadeiro pesadelo enquanto o técnico foi comandante no Morumbi. Com o vice da Libertadores em 2006 e constantes eliminações no Paulistão (2007, 2008 e 2009) e também na Liberta dos mesmos anos, a saída da competição continental em 2009 para o Cruzeiro acabou decretando também a sua saída do clube.

O retorno salvador

Passou-se um longo tempo para que o multicampeão voltasse ao Morumbi. Foram quatro anos conquistando troféus como a Libertadores e novamente o Brasileirão, sendo sua missão quando assumiu novamente o São Paulo, em setembro de 2013, bem menos pretenciosa: Salvar a equipe de um iminente rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Com a força da torcida e sua energia que contagiou o grupo, a equipe tricolor deu uma verdadeira volta por cima e conseguiu se livrar com sobras do fantasma da Série B que assombrou o time praticamente a competição inteira.

Em 2014, após um primeiro semestre desastroso, as chegadas de Kaká e Álvaro Pereira deram uma nova dose de combustível para inflamar o grupo que chegou ao vice-campeonato do Brasileiro.

O restante da história, bem, nós já conhecemos. Porém, esperamos que não seja o último capítulo.

Melhoras, Muricy, estamos te esperando!

 

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