HISTÓRIA EM TRÊS CORES: Leônidas da Silva

Conheça a história do ídolo Leônidas da Silva e saiba mais sobre sua passagem pelo Tricolor paulista

Leônidas da Silva, também conhecido como “Homem-Borracha” ou “Diamante Negro”, nasceu dia 6 de setembro no Rio de Janeiro e faleceu no 24 de janeiro de 2004, em Cotia, onde viveu em uma casa de repouso na Avenida São Camilo por muito anos.

Leônidas é considerado um dos mais importantes atacantes do futebol brasileiro na primeira metade do século XX e se tornou ídolo do São Paulo e da seleção brasileira. Além de jogador, o “diamante negro” também foi treinador de futebol.

Imortalizado no memorial do tricolor, ele ficou notabilizado como o “inventor” da “bicicleta” no futebol. Nenhum torcedor de outro time discorda.

Antes do tricolor
Leônidas começou a jogar na década de 30, ainda muito jovem pelo São Cristóvão (RJ), clube do seu bairro e teve passagens de destaque pelo Vasco da Gama, Botafogo e Flamengo. Nos três times conquistou títulos cariocas. Fora do Brasil, ele defendeu o Peñarol do Uruguai, marcando 28 gols em 25 partidas disputadas. Goleador nato, Leônidas jogou 579 partidas e anotou 522 gols.

Em 1929, jogou pelo Syrio e Libanez. Em 1930, Leônidas transferiu-se para o Bonsucesso, onde deu início a sua semiprofissionalização ao assinar seu primeiro contrato, onde ele receberia 400 mil réis por mês.

Um ano depois, já era destaque no futebol fluminense, tendo sido convocado para atuar na Seleção Carioca em amistoso contra o Ferencváros TC, então campeão húngaro, e marcou um tento na partida.

Em 1932, Leônidas teve sua primeira chance na seleção brasileira, contra o Uruguai no estádio centenário. O resultado foi 2×0, e Leônidas marcou os dois gols da seleção canarinho. Em 1934, ele foi um dos convocados para a Copa do Mundo da Itália, tendo marcado o único gol da única partida da Seleção Brasileira na competição.

Ainda em 1934, transferiu-se para o Peñarol e após boa passagem retornou ao Rio de Janeiro para jogar no Vasco da Gama, lá ele foi Campeão Carioca de 34.

No ano seguinte, mudou novamente de clube, indo jogar pelo Botafogo, onde conquistou o Carioca daquela temporada, e em 1936, transferiu-se para o Flamengo, onde atuou até 1942 e se sagrou campeão carioca em 1939.

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Estabelecimento de um ídolo

Leônidas da Silva foi contratado pelo São Paulo em 1942, na transação mais cara da história do futebol sul-americano até então, o valor de 200 contos de réis (em valores convertidos e corrigidos, aproximadamente 195 mil reais) que o São Paulo pagou ao Flamengo, foi algo surreal na época, mas nenhum dirigente se arrependeu, sorte para nós torcedores.

Leônidas foi anunciado como contratado pelo São Paulo em 1 de abril de 1942. Dia da mentira. Claro que muita gente não acreditou, achando que o fato era brincadeira, pois se tratava de um ídolo e goleador, além de ser uma fortuna o valor da compra do atleta. Mas na realidade, poucos dias depois, 10 de abril, o craque foi recebido na Estação Roosevelt, no Brás, por uma multidão de 10 mil pessoas que o conduziu nos ombros até a sede do clube.

O craque estava há mais de um ano sem disputar partida oficial, e a estreia no Tricolor ainda tardou um pouco. A tão esperada estreia foi em 24 de maio de 1942, em um empate em 3 x 3 contra o Corinthians.

Leônidas não teria jogado tão bem – Em verdade até participou de jogadas de gols -, mas a imprensa e os adversários zombaram do craque com uma piada de que o marcador do craque no jogo, Brandão, teria sido preso pela polícia por ter saído de campo com um diamante no bolso. Leônidas revelou posteriormente que, tão enervado que ficou, prometeu nunca mais jogar “mal” contra eles, e assim fez. Foram 10 vitórias contra cinco derrotas e 11 gols marcados em 19 jogos contra o Corinthians.

O sinal de que a vinda de Leônidas foi abençoada e que sua passagem pelo Tricolor daria certo veio na terceira partida do centroavante pelo clube. Contra o Palestra (14/06), Leônidas marcou o único gol do São Paulo na partida de maneira espetacular. O gol foi de bicicleta, sua marca registrada e a jogada inventada por ele.

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Seleção Brasileira
Pela Seleção Brasileira de Futebol, atuou nas Copas de 1934 e 1938, e balançou as redes em nove oportunidades. Ele é um dos maiores artilheiros da história da seleção canarinha, com 37 gols em 37 partidas disputas, uma média espetacular.

No final da década de 1930, Leônidas foi o maior destaque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938, tendo sido o artilheiro da competição, com oito gols. O Brasil conseguiu a sua melhor participação em Mundiais até então, ficando com a terceira colocação. Posteriormente, o Diamante Negro foi escolhido o melhor jogador daquela Copa.

Depois do tricolor
Após deixar os gramados, em 1950, Leônidas continuou no mundo do futebol e teve curta passagem como técnico de futebol do próprio São Paulo e da Confederação Brasileira de Desportos Universitários. A seguir, adentrou no jornalismo como comentarista, passando por TV Paulista, TV Record e Rádio Panamericana.

Diamante Negro
O apelido de “Diamante Negro” foi dado pelo jornalista francês Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, maravilhado pela habilidade do brasileiro. Anos mais tarde a empresa Lacta homenageou-o, criando o chocolate “Diamante Negro”. A empresa só pagou dois contos de réis à época sendo que Leônidas nunca mais cobrou nada pelo uso da marca.

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Leônidas da Silva – Centroavante
Nascimento: 06/09/1913. Rio de Janeiro (RJ).
Falecimento: 24/01/2004. Cotia (SP).
Jogos disputados pelo SPFC: 212 (137V, 36E, 38D)
Estreia: 24/05/1942 (São Paulo 3 x 3 Corinthians)
Último jogo: 23/12/1950 (São Paulo 2 x 1 Nacional)
Gols Marcados no SPFC: 144 (8º maior artilheiro do clube)

Títulos conquistados no SPFC:
Campeonato Paulista de 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
Taça dos Campeões Estaduais Rio de Janeiro-São Paulo: 1943, 1946 e 1948.
Taça Cidade de São Paulo: 1944.
III Olímpíada Tricolor: 1944.
Taça Coletividade Brasileira, Paraguai: 1945.
Taça Cia. Internacional de Capitalização: 1946.
Taça Argemiro Ribeiro de Oliveira, Barretos: 1946.
Taça Cid de Mattos Vianna, Minas Gerais: 1946.
Taça Amizade, Rio de Janeiro: 1946.
Taça Governador Octávio Mangabeira, Bahia: 1947.
Taça Castelões, Ribeirão Preto: 1947.
Taça Dr. José Ribeiro Fortez, São Joaquim da Barra: 1948.
Troféu Casanova, Barretos: 1948.
Taça Corante Wilson, Paraná: 1949.
Pentagonal Rio-São Paulo – Taça R. Monteiro: 1949.
Taça Presidente Cícero Pompeu de Toledo, Bauru: 1949.
Troféu Filhos de Araçatuba, Araçatuba: 1949.

Seleção Brasileira – 38 jogos / 39 gols
Artilheiro da Copa do Mundo de 1938 com 7 gols
Campeão da Copa Roca de 1945
Campeão da Copa Rio Branco de 1932

Outros
Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais de 1931 (RJ) e 1942 (SP)
Campeão Carioca de 1934, 1935 e 1939

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