HISTÓRIA EM TRÊS CORES: Leonardo

Confira a trajetória de um grande atleta dentro e fora das quatro linhas

Existem jogadores que ficam marcados na história de um clube como o São Paulo por um feito histórico, o poder de decisão ou até mesmo demonstrações contínuas de raça e amor a camisa. Porém, outros conseguem reunir todos esses aspectos, acrescentando uma extrema regularidade, demonstrações constantes de carinho pelo clube e também grande consciência social, como é o caso do nosso personagem de hoje: O lateral-esquerdo que virou meia Leonardo.

Nascido na cidade de Niterói, mais precisamente no dia 5 de setembro de 1969, Leonardo Nascimento de Araújo, assim como grande parte dos garotos do Brasil, tinha vontade de ser jogador de futebol e começou logo a fazer testes no clube do coração na infância: O Flamengo. Ali começaria uma caminhada de muito sucesso por todos os clubes que iria passar.

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Antes do tricolor

Com apenas 18 anos, o talento em driblar e chegar ao ataque do jovem lateral-esquerdo fez com que Leonardo fosse integrado aos profissionais em 1987, período em que o time carioca tinha figuras de imenso destaque como Junior, Zico, Leandro, Bebeto, entre outros. Com a conquista do Brasileirão em 1987, tudo indicava que o jogador se tornaria um grande ídolo rubro-negro por muitos anos.

Porém, a estadia de Leonardo na Gávea foi abreviada por críticas pesadas feitas ao atleta, responsabilizando-o de uma perda de título regional para o Botafogo. Sendo assim, o jogador de grande potencial passaria por sua mudança mais radical na carreira ao chegar no Soberano, graças ao mestre Telê Santana.

O estabelecimento de um ídolo

Chegando em 1990 ao tricolor, o técnico da equipe não admitiu que um jogador de tamanho talento no passe e no drible permanecesse como lateral e o deslocou para o meio-campo, posição que nunca mais deixou. Com sua facilidade em imprimir um ritmo ao mesmo tempo rápido e de muita habilidade, Leonardo se encaixava perfeitamente no estilo que agradava ao técnico que tanto fez sucesso no São Paulo.

Com diversas atuações consistentes e grupos fortes em que o jogador esteve presente, vieram títulos aos montes: Dois Mundiais Interclubes (1992 e 1993), uma Libertadores (1993), um Brasileirão (1991), Supercopa da Libertadores (1993) e Recopa Sul-Americana (1993).

Isso contando apenas a primeira e segunda passagens do meia, que em 2001 ainda faturou o Rio-São Paulo, um título inédito para o clube até então.

Não importava de quem Leonardo estava atuando ao lado (Rai, Elivélton, Toninho Cerezo, Juninho, Sidnei, Mona, Bernardo, Kaká etc.), o jogador sempre era cotado como um dos pilares ofensivos, não a toa teve e ainda tem grande carinho da torcida são-paulina.

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Período pós-tricolor

Não foram somente as camisas de Flamengo e São Paulo que fizeram o jogador desfilar o seu melhor futebol, tendo desempenhos brilhantes também no Valencia-ESP, Paris Saint-Germain-FRA, Milan-ITA e Kashima Antlers-JAP. Tanto é verdade que, fora a equipe espanhola, em todos os outros times Leonardo conseguiu ao menos um troféu.

Com grande moral e já tendo ocupado os cargos de diretor de futebol e técnico na Itália, Leonardo teve papel ainda mais de estruturação tanto no PSG como no Japão. Sendo praticamente um dos introdutores do futebol ao público japonês juntamente com Zico, o ex-atleta viveu o primeiro grande momento áureo do time de Paris, ganhando a Copa da Liga e a Copa da França sendo protagonista ao lado de Rai.

Posteriormente, em 2011, Leonardo voltou a cidade-luz com a missão de montar uma base estrelada e que seria bancada pelo atual presidente Nasser Al-Khelaifi, contratando jogadores como Cavani, Ibrahimovic, Lucas e Thiago Silva.

A história como dirigente do clube francês acabou interrompida em maio de 2013, quando uma punição após empurrar o árbitro Alexandre após uma discussão nos vestiários em partida da pré-temporada o tirou das atividades por nove meses. Ao término da suspensão, o brasileiro deixou o cargo.

Seleção Brasileira e o episódio de 1994

Com tamanho sucesso, a Seleção Brasileira acabou sendo uma consequência natural, estando presente no grupo que venceu a Copa do Mundo em 1994 e também nos títulos da Copa América e da Copa das Confederações em 1997. além do vice-campeonato em 1998.

Entretanto, o tetracampeonato traz boas lembranças até a página 2 para Leonardo. Isso porque o meia então jogando na lateral esquerda acabou sendo expulso em um jogo contra os Estados Unidos, na fase de oitavas de final. Em jogo tenso, o jogador acabou dando uma cotovelada certeira no zagueiro norte-americano Tab Ramos e foi instantaneamente expulso.

Além do cartão vermelho, ele foi punido com quatro jogos de suspensão, ficando de fora do restante da competição.

Parceria com Rai

Além de serem grandes jogadores que tem em comum passagens vitoriosas pelo Soberano e pelo PSG, Leonardo e Rai dividem a responsabilidade de cuidar da Fundação Gol de Letra, criada no ano de 1998 para prestar assistência educacional e social para crianças carentes nas unidades de São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com mais de dez anos de atuação que beneficiaram mais de mil crianças, a instituição tem o reconhecimento tanto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como também as premiações da Universidade de São Paulo (USP) relacionado a área de Direitos Humanos e o Prêmio Itaú-Unicef de Educação Integral.

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