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Entrevista coletiva Muricy Ramalho

O treinador são-paulino concedeu uma coletiva para a imprensa, ainda muito abatido após a derrota para o rival na última quarta feira

Antes de começar a entrevista nesta sexta-feita no CCT da Barra Funda, o técnico Muricy Ramalho havia feito uma análise da estreia da Libertadores.

“A gente assistiu o jogo de novo. O que me preocupou foi o baixo número de finalizações. Um time desse não pode, mesmo jogando na casa do adversário, não chutar ao gol. Armamos um esquema para dar liberdade a muita gente e não deu certo.”

Assim que começou a coletiva, o abatimento ainda tomava conta da expressão do treinador Tricolor e a primeira pergunta foi feita após os repórteres terem notado a ausência de Alan Kardec e Ganso no treinamento.

M: “O Ganso pediu para não jogar, não estava se sentindo bem. Quanto ao Kardec, é uma mudança tática, o Pato não podia jogar contra o Corinthians e agora volta. No lugar do Ganso, vai o Thiago Mendes.”

Questionado sobre o campeonato paulista, Muricy disse que não atrapalha em maneira nenhuma Jogar as duas competições simultaneamente. Segundo Muricy, o tricolor tem plantel para jogar bem as duas equipes e além do mais, o tempo de recuperação é grande.

Em seguida, surgiram perguntas sobre a derrota de quarta, qual seria a postura do time para as próximas partidas e quais foram os erros em campo na derrota para o rival. Muricy, com uma voz calma falou primeiro sobre o futuro do Tricolor.

M:“Temos o ano inteiro pela frente. Tem muita coisa para acontecer. É claro que temos de vencer na quarta-feira, porque cada jogo é uma decisão na Libertadores. Espero que as pessoas entendam isso.”

Muricy Ramalho falou sobre a falta de comunicação dos jogadores dentro d campo e também da atitude de Paulo Henrique ganso após a partida.

M:“Os nossos jogadores são muito amigos, disciplinados, mas dentro de campo, ninguém fala. Todos se respeitam demais e isso, às vezes não é bom. Às vezes precisa cobrar o companheiro. É preciso conversar em campo. Um olha o que o outro não consegue observar. Temos esse defeito.”

M:“Sobre o ganso, o jogador exagera de cabeça quente. Também fui jogador, era meio nervoso, mas não fui de reclamar. Sempre apresentamos ao jogador na palestra como o juiz trabalha. Uns são mais caseiros, outros gostam mais de conversar, outros não gostam. Os árbitros erram como qualquer pessoa. Só que hoje os erros acontecem porque são seres humanos, falham como nós. Por isso, é preciso ter calma. O lance do Emerson foi falta, todo mundo concordou, mas não foi por ele que não vencemos. A gente pede para o jogador ter calma. Ainda não conversei com Ganso, deixa ele pensar um pouco mais e esfriar a cabeça. Ele é um cara quieto, calado, mas o ser humano perde cabeça. Tomara que não ocorra uma punição.”

Com vontade de sair dali o quanto antes, Muricy foi perguntado se se sentia incomodado no cargo ou com medo de perdê-lo. Contundente, o treinador foi direto em sua resposta.

M:“Quando eu tinha uns 30 e poucos anos tirava a tranquilidade. Hoje não. Faz parte. Tem de reagir. Técnico é assim mesmo: nós ganhamos e ele perde. É a nossa cultura. Estou acostumado. Nas grandes empresas, funciona assim. Você tem de ser cobrado para render. Aqui não é diferente. Foi uma conversa que sempre tem. Somos amigos fora de campo, mas lá dentro precisa render. Um líder você não forma, ele já nasce assim. Eu era um pouco assim quando jogava”.

Os repórteres não poderiam deixar passar em branco a pergunta sobre o esquema tático, e perguntaram sobre o possível 3-5-2 e  entrada de Centurión no Paulista e na Libertadores, onde o argentino deverá estrear contra o San Lorenzo dia 18/03.

M:“Não adianta colocar o Centurión para jogar agora (Amanhã contra o Audax) porque ele não pode atuar diante do Danúbio. Quanto ao esquema de três zagueiros, é muito difícil repetir porque muita gente joga com apenas um atacante. Quando você enfrenta times com dois caras abertos, o esquema 3-5-2 não encaixa. O Centurión deve estrar na Libertadores contra o San Lorenzo e antes sim irá jogar o Paulista. Agora quero testar jogadores para a próxima quarta feira. Poderá haver mudanças”.

Sobre o San Lorenzo, time argentino que venceu o Danúbio em sua estreia, Muricy evitou falar nisso ainda, poiso uruguaio Danubio é o próximo rival.

M:“Agora é hora de pensar no Danubio, que será nosso primeiro adversário. Mas o San Lorenzo também está na briga, se mostra muito forte e estreou vencendo fora de casa de virada. Temos a obrigação de vencer o Danubio na quarta feira”.

Muricy foi questionado sobre o jogo contra o Audax e o fraco desemprenho dos times do interior, porém ele sabe que o rival de amanhã não é tão bobo assim.

M:“Treinamos de acordo com o adversário. Sabemos que eles sabem sair jogando e temos obrigação de pressionar. Eles têm posse de bola na defesa. Eu gosto de ver o Audax jogar. Vi contra o Marília. Tem obrigação de treinar pensando no adversário. Se não, não acontece nada no campo. Hoje, com mais tempo de preparação, os grandes estão sofrendo menos. Antes, treinávamos nove, dez dias e já jogávamos. Hoje, se vê que a diferença encurtou um pouco. A Federação atendeu aos pedidos e deu uma pré-temporada maior. Isso fez a diferença”.

Sabendo que seu cargo não está 100% garantido e que os diretores andam dando pitacos sobre seu desempenho e o cobram por isso, Muricy respondeu falando sobre o vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro.

M:“Ataíde é um parceiro que tenho há muito tempo. A gente se identifica muito. No futebol, é preciso entender que só presta uma coisa que é vencer. Também gostaria que ele ficasse por muito tempo porque futebol é uma coisa séria e precisamos de mais pessoas como ele. Nada me surpreende mais. Por isso, quando acaba o treino, não vou jantar com ninguém e vou para minha casa.”

E fechou com:

M:“Unanimidade para técnico no Brasil não existe. Todos ganham, o técnico perde. É uma coisa natural.”

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Escrito por Rodrigo Alcântara