Home > Destaques > Denílson: “Sou de uma geração que o São Paulo era tido como exemplo”

Denílson: “Sou de uma geração que o São Paulo era tido como exemplo”

Assim como fez com Muller, o SPFC Notícias conversou o ex-meia Denílson, campeão em três oportunidades com manto sagrado Tricolor

Olá amigos tricolores!

A diretoria atual do São Paulo, hoje comandada por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, realmente não está com a mínima moral com ex-atletas do clube. Após Muller, o ex-meia Denílson de Oliveira Araújo, o Denílson “Show”, foi outro que culpou a má gestão pela fase que vive o Tricolor.

Eles estiveram em São José do Rio Preto para um evento comandado pelo goleiro Jefferson do Botafogo e Denílson, assim como Muller, também concedeu entrevista exclusiva ao SPFC Notícias. Como não poderia ser diferente, a luta para evitar aquele que seria o maior vexame da rica história são-paulina, o rebaixamento, foi o tema principal. Aos 40 anos de idade, Denílson também cravou que o time não cai e mandou um recado aos que ainda o criticam pelo fato de ter jogado em um rival apenas após ter a “porta fechada” no clube do Morumbi. Confira na sequência como foi a conversa com o Campeão Paulista de 1998 pelo São Paulo e Pentacampeão Mundial com a seleção Brasileira.

SPFC Notícias: A situação do São Paulo, tudo bem que agora até deu uma melhorada, mas em sua opinião o que levou o time a chegar a essa posição atual?

Denílson: Gestão. Não que exista corrupção dentro do São Paulo. Mas a má gestão do São já vem de algum tempo. Não é de agora que o São Paulo vem sendo motivo de chacota perante os torcedores, perante a mídia. Eu sou de uma geração onde o São Paulo era tido como exemplo de clube, de gestão. Não vazava nada. Qualquer tipo de situação era resolvida internamente e ninguém sabia. Hoje é impressionante. Qualquer coisa que acontece todo mundo fica sabendo. Tendo em vista que um presidente anterior e um diretor esportivo chegaram ao ponto de chegarem às vias de fato né [Carlos Miguel Aidar teria sido atingido com um soco na cara por Ataíde Gil Guerreiro em outubro de 2015 durante uma reunião semanal da diretoria]. Então isso mostra o despreparo e está refletindo dentro do campo. ‘Ah Denílson, mas o jogador deveria separar’ [falando em terceira pessoa]. Também acho que deveria separar e entender a importância que é jogar no São Paulo, como eu entendi, como o Muller entendeu em outros momentos né. Mas eu acho que a questão política dentro do São Paulo é vexatória já há alguns anos.

SPFCN: O São Paulo de 2017 é o pior que você já viu?

D: Não acho o time do São Paulo ruim não. Não acho que é o pior da história não. Independentemente do momento que o São Paulo vem vivendo. Rodrigo Caio é um jogador de seleção brasileira. Você perde a referência que era o Rogério Ceni e está demorando a encontrar uma referência no sistema defensivo, no gol… E não vai achar nunca um cara como o Rogério Ceni por vários motivos. Mas assim, por exemplo, o Renan [Ribeiro, goleiro] vinha fazendo um bom trabalho e de repente, do nada, do nada, o cara sai. E aí a gente descobre que o cara está em final de contrato, em processo de renovação. Um cara que vinha sendo titular, de repente sai, por quê? Então acho que é uma questão interna, de política, de falar ‘tira’ porque está pedindo muito. Então para baixar um pouquinho a bola dele. O que eu acho errado. Se ele está jogando bem tem que renovar o contrato por merecimento. Senão não teria por que estar vestindo a camisa do São Paulo. Mas se você pegar o Lucas Pratto que foi artilheiro no Galo, por exemplo, você pega o Hernanes que voltou agora, que eu acho que é a grande referência, o Petros numa época de SCCP que jogou demais, Jucilei também de SCCP que também jogou muito e era titular até pouco tempo estava jogando muito bem e saiu ninguém sabe por que. Então, enfim, acho que são algumas questões que, principalmente por eu ter jogado futebol que não consigo entender e que sei, tenho certeza absoluta que vai minando dentro do vestiário o ambiente. E isso vai atrapalhando e vai refletindo no rendimento dos caras dentro de campo.

SPFCN: O São Paulo cai?

D: Eu acho que não cai porque tem muito time para cair. Muito. Assim, é triste logicamente você olhar a classificação e ver o São Paulo hoje a poucos pontos da zona de rebaixamento e depois de [ter ficado] 12 ou 13 rodadas no Z-4. Mas do oitavo ou nono, até o próprio Atlético-GO [lanterna] está tudo embolado. Então acho que o São Paulo não cai. O Fluminense corre um sério risco por uma questão de experiência né. O São Paulo ainda tem jogadores que conseguem assimilar essa responsabilidade. O Fluminense é um time de muitos jogadores jovens então acho que pode sentir um pouco isso aí, então corre bastante perigo.

SPFCN: Para encerrar. Em determinado momento da sua carreira o São Paulo lhe fechou as portas. Você tem ou teve uma mágoa com o São Paulo por isso. Mas o torcedor é muito apaixonado e tem muita gente que ainda lhe critica por ter jogado em um rival, mesmo sabendo deste fato. O que você pensa desses torcedores que mesmo sabendo que você foi barrado no São Paulo ainda lhe criticam?

D: É muito difícil você discutir com o torcedor né. O torcedor é muita paixão, muita emoção, é muito momento né. O mesmo torcedor que hoje te aplaude, amanhã vai te vaiar. É o mesmo torcedor que invade um Centro de Treinamento, que tenta agredir jogadores, são os mesmos que vão estar no domingo incentivando o time. Então é bem delicada essa relação com o torcedor. Eu precisava trabalhar. Eu precisava continuar trabalhando. Esse é um outro ponto de vista né. Eu não poderia naquele momento que eu não contava com o não… [dá uma pequena pausa]. De verdade, eu fui no São Paulo porque eu achava que o São Paulo fosse a minha casa. Eu entrei no São Paulo eu tinha 10 anos de idade e saí com 20. E houve uma troca né. O São Paulo me ajudou bastante, mas eu também dei um retorno financeiro, que se eu não me engano, se eu não sou o segundo, eu sou o terceiro da história do São Paulo que mais retorno financeiro deu. Mas por causa de um diretor, do “Seu” João Paulo de Jesus Lopes, acabei indo para a SEP porque eu precisava trabalhar. Eu não sabia que a minha história com a SEP seria tão bonita num espaço tão curto de tempo. Acabei ficando apenas um ano e parece que eu joguei mais tempo lá pelo carinho, pelo dia a dia que eu recebo dos torcedores… Depois de muitas entrevistas explicando essa situação do São Paulo ter fechado as portas para mim que, não sei uma porcentagem, mas sei lá, 60 a 40, 70 a 30 [por cento], gostam [de mim] e entendem ou entenderam a situação. Mas no começo era justamente o que você falou. Era rejeição total, raiva… Cheguei a ser agredido verbalmente na rua diversas vezes por torcedores são-paulinos. Diversas vezes fui chamado de ‘Judas’ por ter ido jogar no rival e depois de diversas entrevistas parte dos torcedores, ou grande parte dos torcedores, começaram a entender essa situação e hoje tem um respeito por mim.

Formando no Tricolor, Denílson jogou no profissional do São Paulo de 1994 a 1998. No Morumbi conquistou 3 títulos: a Copa Conmebol com o “Expressinho” em 1994, a Copa Master da Conmebol em 1996 e o já citado Campeonato Paulista de 1998. Foram 110 jogos disputados e 58 gols com a camisa são-paulina.

Fotos: Cibele Nunes/Assessore Comunicação

Siga no Twitter: @RafaCedrall