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Carta aberta aos jogadores do São Paulo

A indiferença é o pior dos sentimentos

Prezados jogadores do São Paulo Futebol Clube,

Diante de tamanho descaso, falta de comprometimento e indiferença, vejo-me obrigado a recorrer a explicar o que é óbvio para nós, torcedores.

Só posso acreditar que tamanha indolência se deve ao fato de que vocês não saibam o que significam e representam as três estrelas vermelhas sobre o escudo do clube estampada nas camisas que vocês vestem. Uma camisa com tradição, que muitos outros um dia já a honraram.

Essas três estrelas vermelhas significam que este clube, o São Paulo, já conquistou três vezes o título de melhor clube do mundo, vencendo ninguém menos que os esquadrões do Barcelona, Milan e Liverpool.

Talvez, creio eu, ninguém tenha explicado a vocês sobre estes títulos ou sequer tenham lhes convidado para ver os vídeos dessas partidas quando contratados pelo São Paulo.

Não sou ingênuo, nem sonhador. Sei que vocês jamais lerão – e até mesmo poderão rir e debochar – desta carta aberta, de um simples e mortal torcedor apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube, que desde os tempos de menino assistia hipnotizado aos jogos do Tricolor ao lado do seu pai e que isso criou vínculos de amor, que permanecerão ao longo de toda a vida.

Talvez nem consigam mais, tamanho descompasso com o mundo, imaginar o que é seu pai, antes de falecer, pedir a você para colocar a bandeira do São Paulo o seu caixão. Que sentimento seria esse? Vocês, jogadores, ao menos tentam entender que uma bola não é só uma bola, e que um jogo não é só um jogo?

Um sentimento que extrapola qualquer valor monetário, pois se trata de amor incomensurável, de algo até mesmo inexplicável, que nos dá identidade, que une pessoas, que apaga com todas as linhas das camadas sociais deste sistema cruel, que é capaz de proporcionar os mais arrebatadores sentimentos frente à aridez da luta pela sobrevivência.

Ah, jogadores, vocês que recebem salários estratosféricos e que já ganhando aos tubos se desconectam com a dura realidade da vida, se ao menos soubessem o que representa o São Paulo para milhões, se ao menos soubessem do que as pessoas fazem para torcer pelo time do coração, com certeza, não teriam a desfaçatez, não promoveriam o sofrimento e vergonha a que somos submetidos pela falta de vontade, pela falta de garra, pela falta de comprometimento.

Evidente que ganhar ou perder fazem parte do jogo, e da vida; todos nós, torcedores, compreendemos isto; no entanto, o que não pode haver é a ausência de luta, de brio por dias melhores, isso que nos revolta, porque nós, que tanto nos dedicamos todo sagrado dia de nossas vidas na luta pelo pão de cada dia, só exigimos 90 minutos de vontade de vencer.

Ah, jogadores, se vocês soubessem o que as pessoas já fizeram e ainda fazem para assistir a uma partida de futebol do seu clube do coração. Tem gente que vendeu casa para ver a final do Mundial, outros que se apertam no orçamento familiar para poder ir ao estádio, gente que compra camisas, que deixa a família para gritar e comemorar, gente que se desdobra para ter minutos de felicidade.

Mas vocês, jogadores, parecem que só nos oferecem a é a indiferença. E indiferença é pior que levar um tapa na cara.

Tamanho o nosso desgosto, antigamente, quando chegava o dia do jogo do São Paulo, a gente já acordava com isso na cabeça, como uma obsessão incontrolável, uma ansiedade; mas agora, parece que já começamos pensar na próxima partida com um sentimento de derrota prévia.

Ainda assim, nós, apaixonados por um escudo de cinco pontas e três cores, inexplicavelmente, assistimos de forma incondicional.

Ah, jogadores, nós sabemos como funciona a máquina do mundo e a máquina do esporte, que movimento bilhões, também sabemos que a vida é dinâmica e amanhã poderão estar em outros clubes e outros países, porém, o que nós exigimos é que enquanto estiverem no São Paulo, honrem essa camisa de uma instituição formada pelo idealismo e pela paixão.

Não é pedir demais. Nem estou citando seus altos salários e compromissos profissionais, estou dizendo algo muito além disso, que se trata de respeito com milhões de pessoas que se desdobram para acompanhar, torcer e vibrar pelo seu time do coração.

Por Ricardo Flaitt

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Escrito por Ricardo Flaitt