25 anos do primeiro título internacional do Tricolor

Há exatos 25 anos, o São Paulo se tornava campeão da Copa Libertadores da América, ao vencer os argentinos do Newell´s Old Boys no Morumbi

Na partida de ida, vitória argentina por 1 a 0. Na volta, no Estádio do Morumbi, o placar se repetiu, e na decisão por pênaltis, 3 a 2 para o São Paulo, que neste momento se coroava como CAMPEÃO DA AMÉRICA.

O artilheiro da competição foi Palhinha, meia-atacante do São Paulo, com sete gols.

Por ser campeão brasileiro de 1991, o São Paulo entrou para a disputa do torneio continental. Em seu grupo estava o Criciúma, campeão da Copa do Brasil de 1919, o Bolívar e o San José, campeão e vice do Campenato Boliviano.

Com 8 pontos, a campanha do tricolor em seis jogos foi: 3 vitórias, 1 empate e uma derrota, com 11 gols marcados e 5 sofridos.

Nas oitavas de final, o tricolor enfrentou o Nacional do Uruguai e passou com duas vitórias. 1×0 e 2×0.

Na fase seguinte, o destino colocou o Criciúma em nossos caminhos. O líder do nosso grupo foi um adversário muito complicado. Durante a fase qualificatória, nossa única derrota foi justamente para eles. 3 a 0.

Os duelos de quartas de final não foram nada fáceis. Vencemos a primeira partida por 1×0 e na segunda, com o empate em 1×1, avançamos para a semi final, onde tivemos outro duelo complicado.

Nos jogos que nos levaram a grande final, encaramos os equatorianos do Barcelona de Guayaquil. No Morumbi, vitória do tricolor por 3×0 e no jogo de volta, revés por 2×0 e grande susto.

Chegamos a final, a cidade respirava os jogos que iriam decidir o campeão da América, nós tricolores vivíamos esses dias com muita angústia, felicidade, ansiedade e sede pela vitória.

Passou uma semana e chegou o dia da primeira partida decisiva. Foi na Argentina, no estádio Gigante de Arroyito em Rosário. Páreo muito duro e revés no país vizinho. Newell´s 1 x 0 São Paulo.

Newell’s Old Boys: Scoponi, Raggio, Gamboa, Pochettino e Saldaña; Berti, Berizzo, Martino (Garfagnoli) e Zamora; Lunari e Mendoza (Domizzi). Técnico: Marcelo Bielsa.

São Paulo: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan ; Adílson, Pintado, Raí e Palhinha (Macedo); Müller e Elivélton. Técnico: Telê Santana.

Mais sete dias de angústia, aflição e ansiedade, até que finalmente chegou o grande dia. mais de 105 mil pessoas (inclusive este que vos escreve) lotaram o Morumbi. Estava lindo, fantástico, a energia que se sentia ali era indescritível, mas parecia que cada minuto tinha duração de 120 segundos.

Eu era uma criança, mas lembro-me perfeitamente tudo o que se vivia, pis meu pai e mei irmão são-paulinos viveram intensamente esses dias.

Posso lhe assegurar, que haviam palmeirenses e corintianos torcendo para o triunfo tricolor naquele dia.

Vamos ao jogo.

Em um Morumbi completamente lotado, a equipe Tricolor foi pra cima e teve ótimas chances com Cafu (duas vezes) e Antonio Carlos, enquanto que Zamora, para o Newell´s, carimbou a trave de Zetti, assustando os tricolores.

Antes do intervalo, Raí, Palinha e Muller tiveram suas chances. O primeiro em um chute pelo lado do gol, o segundo, uma bomba no travessão e o mais clarro, Muller chutou e Gamboa (guardem este nome), salvou em cima da linha. Fim do primeiro tempo, 0x0 e o título ficava com o time argentino.

A segunda etapa começou quente e acirrada. Domizzi em lance muito rápido driblou Zetti, mas Adílson tirou em cima da linha, salvando o tricolor do gol que praticamente lacrava a partida.

Pouco mais de 20 minutos de jogo, Telê Santana tirou Muller e colocou Macedo, que entrou com estrela, pois aos 22 minutos, Gamboa (lembram dele…vai ter mais) puxou Macedo na área e o árbitro colombiano José Joaquín Torres Cadenas marcou a penalidade máxima.

A torcida explodiu, parecia já saber que Raí converteria a cobrança. Dito e feito. O camisa 10 tricolor, bateu com categoria e abriu o placar, nesse momento, eu pensei que o estádio fosse desabar, pois tremia muito. Felicidade da torcida e apreensão para o fim de jogo.

Após o gol, nada de tão revelante (que tenha visto nos melhores momentos, pois não lembro muito) aconteceu e a partida foi para a decisão nos pênaltis.

Berizzo começou a série e perdeu. Raí (que já havia marcado na partida) marcou novamente (1×0). Foi a vez de Zamora e este abriu o contador para os argentinos (1×1). Ivan também guardou e deixou o tricolor na vantagem (2×1). Llop empatou (2×2), e o placar permaneceu assim, pois Ronaldão errou. Então Mendoza retribuiu o favor e bateu por cima. Cafu pôs o São Paulo na frente (3×2) e chegou a vez de Gamboa, lembram desse nome? Ele foi o autor do pênalti no tempo normal.

Voltaremos para a última cobrança da disputa de pênaltis. Gamboa foi o responsável por essa cobrança e o cenário era o seguinte: se ele fizesse, Pintado teria de bater sua penalidade, caso o argentino perdesse, o tricolor era campeão. Gamboa se posicionou, correu, bateu e ZEEEEEETTTI defendeu!!!

O goleiro tricolor saltou para sua esquerda e de mão trocada, espalmou a bola para fora. Estava decidido. O São Paulo conquistou naquela noite fria, o primeiro título da Copa Libertadores da América!

Festa da torcida que invadiu o campo para festejar com seus heróis.

Eu, com medo, de o estádio vir abaixo e pela emoção da cena que vivia, apenas chorava. OBRIGADO SÃO PAULO!

ASSISTA AQUI AOS MELHORES MOMENTOS:

CURIOSIDADE:

Kalef João Francisco, então diretor de futebol do São Paulo, lembra de uma história de bastidores envolvendo as duas partidas decisivas.

“Quando jogamos contra o Newell’s, na Argentina, eles não nos deixaram treinar no campo deles. Então, no jogo de volta, eu disse que não poderia acender os refletores para o treino deles. O Bielsa ficou bravo. Eu disse que nosso eletricista morava em uma favela e não poderia acender as lâmpadas. O Bielsa queria buscá-lo na favela (risos). Então, eles fizeram apenas um aquecimento no gramado do Morumbi, às escuras mesmo”, relembrou Kalef.

Veja a reportagem do Globo Esporte sobre o título tricolor:

 

FICHA TÉCNICA:
17.06.1992 Taça Libertadores da América
São Paulo (Brasil) Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 1 X 0 Club Atlético Newell’s Old Boys (Argentina)

São Paulo: Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí; Palhinha, Müller (Macedo) e Elivélton. Técnico: Telê Santana

Newell’s Old Boys: Scoponi; Saldaña, Gamboa, Pochettino e Berizzo; Llop, Berti, Martino (Domizzi) e Lunari; Zamora e Mendoza. Técnico: Marcelo Bielsa

Gol: Raí
Árbitro: José Joaquín Torres Cadenas (Colômbia)
Renda: CR$ 1.072.490.000,00
Público: 105.185 pagantes (extra-oficialmente mais de 120 mil presentes).

Tempo Normal: SPFC 1 x 0 NOB; Pelo regulamento não houve prorrogação. 3×2 para o SPFC nos pênaltis.

Penalidades:
Erro Berizzo x Raí Convertido
Convertido Zamora x Ivan Convertido
Convertido Llop x Ronaldão Erro
Erro Mendoza x Cafu Convertido
Erro Gamboa ZETTI DEFENDEU!!

Jogadores inscritos:

01 – GL – Zetti
02 – LD – Cafu
03 – ZG – Antônio Carlos
04 – ZG – Ronaldão
05 – VL – Sidney
06 – LE – Nelsinho
07 – AT – Müller
08 – VL – Suélio
09 – AT – Macedo
10 – MC – Raí
11 – PE – Elivélton
12 – GL – Marcos
13 – ZG – Adilson
14 – VL – Pintado
15 – ZG – Ivan
16 – LE – Ronaldo Luiz
17 – AT – Catê
18 – MC – Palhinha
19 – ZG – Gilmar
20 – GL – Alexandre
21 – ZG – Mona
22 – VL – Menta *
23 – AT – Rinaldo
24 – VL – Eraldo
25 – AT – Cláudio Moura

*Inscrito, porém não tomou parte no plantel.

JOGO COMPLETO:

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